03 de fevereiro, 2006 - 17h31 GMT (15h31 Brasília)
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) adiou nesta sexta-feira a decisão de enviar o programa nuclear do Irã para apreciação do Conselho de Segurança.
O comitê diretor da agência da ONU, formado por 35 países, agora vai acontecer no sábado, em Viena, na Áustria.
Segundo diplomatas, China, países europeus, Rússia e Estados Unidos estariam de acordo em referir o Irã ao Conselho por temerem que o governo iraniano esteja tentando desenvolver uma bomba atômica.
Alguns países que se qualificam como não alinhados estariam querendo incluir uma menção a uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio.
O Irã está ameçando iniciar o enriquecimento de urânio em escala industrial, caso seu programa nuclear seja referido ao Conselho de Segurança da ONU, que tem o poder de impor sanções contra o país.
Zona Livre
De acordo com a agência de notícias France Presse, os Estados Unicos seriam contra a menção do documento da criação de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio.
O Egito e outros países árabes estariam insistindo em incluir a menção.
A existência de armas nucleares em Israel é praticamente uma certeza, apesar de o país nunca ter admitido o fato oficialmente.
O embaixador americano, Gregory Schulte, disse a repórteres que está convencido de que "há uma sólida maioria de países que apóiam a resolução de enviar o caso do Irã para o Conselho de Segurança, e esta maioria está crescendo".
A agência da ONU não conseguiu chegar a uma conclusão sobre os fins do programa nuclear iraniano após três anos de investigações.
Desconfiança
O texto do documento, escrito na segunda-feira e editado nos últimos dois dias, levou em consideração o desejo russo de que ele não deveria se referir ao estatuto da ONU que especificamente autoriza sanções.
Os Estados Unidos disseram concordar com a decisão para mostrar o desejo do país de buscar um consenso internacional para a questão.
Em Washington, o chefe dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, John Negroponte, afirmou que o Irã provavelmente ainda não tem os meios para fabricar uma bomba nuclear.
"Julgamos que Teerã provavelmente ainda não tem uma arma nuclear ou adquiriu o material necessário para a fissão (nuclear)", disse ele ao Comitê de Inteligência do Senado americano.
Além de expressar claramente desconfiança de que o programa nuclear iraniano tenha apenas fins pacíficos, a resolução pede que o país coopere com a AIEA, permitindo inspeções.
A crise
Em um pronunciamento em rede nacional de TV, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse na quarta-feira que o país não cederia e mudaria sua política por causa da "provocação" internacional em relação ao seu programa nuclear.
Ele disse que o Irã nunca renunciaria ao direito de buscar energia nuclear pacífica.
"Estou dizendo a essas falsas superpotências que a nação iraniana se tornou independente 27 anos atrás", disse Ahmadinejad.
"Na questão nuclear o Irã resistirá até alcançar plenamente seus direitos."
"Nossa nação não pode voltar atrás por causa de políticas de provocação de alguns países."
O pronunciamento aconteceu um dia após o Irã ter dito que impedirá inspeções de surpresa das Nações Unidas em suas instalações nucleares a partir de sábado se houver uma decisão de denunciar o país ao Conselho de Segurança da ONU.
O Irã nega as acusações americanas de que está buscando o desenvolvimento de armas nucleares.
A crise nuclear se intensificou desde o início do ano, quando o Irã retomou suas atividades nucleares após dois anos e meio de paralisação.