02 de fevereiro, 2006 - 15h33 GMT (13h33 Brasília)
O governo do Irã ainda tem "uma janela de oportunidade" para uma solução negociada envolvendo suas ambições nucleares, disse o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, nesta quinta-feira.
"Nós estamos chegando a uma fase crítica, mas não é uma situação de crise", afirmou.
A AIEA está considerado a possibilidade de remeter o caso para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A diretoria da agência se reuniu em Viena, na Áustria, para decidir sobre a proposta de resolução pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, mais a Alemanha, para que o programa nuclear do Irã seja remetido ao órgão.
A reunião terminou na quinta-feira sem uma votação sobre o assunto e deverá ser retomada nesta sexta-feira.
ElBaradei disse que os membros do Conselho de Segurança deixaram claro que nenhuma medida que possa levar a sanções pode ser tomada antes de março, quando ele deverá apresentar um relatório conclusivo.
Desconfiança
O texto do documento, escrito na segunda-feira e editado nos últimos dois dias, levou em consideração o desejo russo de que ele não deveria se referir ao estatuto da ONU que especificamente autoriza sanções.
Os Estados Unidos disseram concordar com a decisão para mostrar o desejo do país de buscar um consenso internacional para a questão.
Em Washington, o chefe do setor de inteligência dos americano, John Negroponte, afirmou que o Irã provavelmente ainda não tem os meios para fabricar uma bomba nuclear.
"Julgamos que Teerã provavelmente ainda não tem uma arma nuclear ou adquiriu o material necessário para a fissão (nuclear)", disse ele ao Comitê de Inteligência do Senado americano.
Diplomatas dizem que os 35 membros da AIEA devem aprovar a resolução com uma ampla maioria e a Rússia reafirmou sua intenção de apoiá-la depois que o Irã insistiu que contava com o endosso russo.
Além de expressar claramente desconfiança de que o programa nuclear iraniano tenha apenas fins pacíficos, a resolução pede que o país coopere com a AIEA, permitindo inspeções.
A crise
Em um pronunciamento em rede nacional de TV, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse na quarta-feira que o país não cederia e mudaria sua política por causa da 'provocação' internacional em relação ao seu programa nuclear.
Ele disse que o Irã nunca renunciaria ao seu direito de buscar energia nuclear pacífica.
"Estou dizendo a essas falsas superpotências que a nação iraniana se tornou independente 27 anos atrás", disse Ahmadinejad.
"Na questão nuclear o Irã resistirá até alcançar plenamente seus direitos."
"Nossa nação não pode voltar atrás por causa de políticas de provocação de alguns países."
O pronunciamento aconteceu um dia após o Irã ter dito que impedirá inspeções de surpresa das Nações Unidas em suas instalações nucleares a partir de sábado se houver uma decisão de denunciar o país ao Conselho de Segurança da ONU.
O Irã nega as acusações americanas de que está buscando o desenvolvimento de armas nucleares.
A crise nuclear se intensificou desde o início do ano, quando o Irã retomou suas atividades nucleares após dois anos e meio de paralisação.