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01 de fevereiro, 2006 - 16h50 GMT (14h50 Brasília)

Ataques rebeldes deixam mais de 20 mortos no Nepal

Uma série de ataques de rebeldes maoístas contra forças do governo do Nepal deixou pelo menos 17 policiais e três soldados mortos na madrugada desta quarta-feira.

Há exatamente um ano, o rei dissolveu o governo e assumiu o poder Executivo no país, depois de acusar as autoridades de não terem sido capazes de acabar com a rebelião maoísta.

Os confrontos desta quarta-feira aconteceram no distrito de Palpa e também teriam deixado vítimas entre os rebeldes. De acordo com o Exército nepalês, a resistência ao rei Gyanendra lançou ataques contra postos do governo perto da cidade de Tansen.

Segundo testemunhas, centenas de rebeldes lançaram ataques simultâneos a repartições, quartéis, prisões e delegacias.

A segurança foi reforçada na capital do Nepal, Katmandu, às vésperas do aniversário do golpe do rei Gyanendra.

Eleições

Centenas de ativistas pró-democracia teriam sido detidos pelas autoridades nos útlimos dias, segundo a oposição.

O rei, no entanto, afirma que o país "entrou no caminho certo" nos últimos 12 meses. Segundo Gyanendra, que fez um discurso em cadeia nacional de televisão, a rebelião estaria enfraquecida e "a democracia em ascensão".

O correspondente da BBC em Katmandú, Charles Haviland, entretanto, afirma que existem poucos indícios para sustentar as afirmações do rei de que a rebelião maoísta está sendo controlada.

Na próxima quinta-feira, devem acontecer eleições para prefeituras e autoridades locais, mas observadores internacionais duvidam que o pleito transcorra normalmente devido à tensão no país.

Os rebeldes maoístas já avisaram que vão tentar atrapalhar as eleições, que para eles não passam de uma tentativa de legitimar o governo "ilegítimo" do rei.

Os rebeldes, por sua vez, são acusados de assassinar pelo menos um candidato, além de ferir a tiros um segundo e seqüestrar um terceiro.

Muitos políticos abandonaram as suas candidaturas com medo das ameaças dos rebeldes. Estima-se que um quarto dos mais de 4 mil cadeiras em jogo nessas eleições vão ficar vazias.

Na terça-feira, a polícia recomendou aos candidatos que permanecessem sob custódia para a sua própria proteção.

Desde o golpe de 1 de fevereiro do ano passado, o rei Gyanendra tem estado sob pressão doméstica e internacional para restaurar a democracia no país.

Na terça-feira, o departamento de Estado americano publicou uma nota contundente, afirmando que "12 meses de controle do palácio só tornaram a situação da segurança mais precária".