01 de fevereiro, 2006 - 19h19 GMT (17h19 Brasília)
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, vai impor condições ao Hamas – como a renúncia à violência e a aceitação de acordos firmados com Israel – antes de permitir que o grupo forme novo governo, afirmou o chefe do serviço de inteligência egípcio, Omar Suleiman.
Segundo ele, caso o Hamas não atenda a essas reivindicações, o líder da Autoridade Palestina "não vai pedir a eles que formem um governo".
Abbas se reuniu no Cairo nesta quarta-feira com o presidente do Egito, Hosni Mubarak.
Entre as reivindicações na lista de Abbas estaria ainda o reconhecimento pelo Hamas do Estado de Israel, acrescentou Suleiman, que já serviu de mediador de acordos entre Israel e os palestinos.
Se o Hamas não cumprir as exigências, "Abu Mazen (apelido de Abbas) vai formar o governo com outros partidos".
Entretanto, uma importante fonte palestina em Ramallah, que pediu para não ter seu nome revelado, disse que o reconhecimento do direito de Israel a existir não será um dos pré-requisitos de Abbas nas negociações com o Hamas.
Os líderes do Hamas têm moderado seu discurso desde a vitória nas eleições parlamentares da semana passada, mas dizem aceitar apenas uma trégua por tempo indefinido e não um reconhecimento oficial de Israel.
Cairo
O Cairo passou a ser esta semana o centro das negociações sobre o futuro do governo palestino e suas relações com Israel. Além de Abbas, a ministra das Relações Exteriores israelense, Tsipi Livni, também esteve reunida com Mubarak na cidade.
Uma delegação do Hamas também cruzou a fronteira da Faixa de Gaza para conversar com autoridades egípcias e com o líder exilado do grupo Khaled Meshaal, que tem como base a capital síria, Damasco.
Doadores internacionais têm ameaçado suspender a ajudar financeira ao governo palestino caso o Hamas assuma o controle de ministérios sem antes reconhecer Israel e renunciar à violência.
"Não devemos nunca reconhecer o direito de qualquer potência de roubar nossa terra e negar nossos direitos nacionais", escreveu Meshaal em artigo num jornal britânico na segunda-feira.
"Não devemos nunca reconhecer a legitimidade de um Estado sionista criado em nosso solo."
Reação de Israel
Israel decidiu suspender o repasse de taxas alfandegárias à Autoridade Palestina. O valor estimado para este mês é de US$ 45 milhões e deveria ser pago nesta quarta-feira.
Raanan Gissin, porta-voz do premiê israelense, Ehud Olmert, disse que os pagamentos estavam sendo cortados como consequência da vitória do Hamas.
Ele disse que o grupo é uma instituição terrorista – o Hamas já assumiu a autoria de várias ações militares contra Israel, inclusive atentados suicidas.
A quantia é relativa ao imposto ao valor agregado e às taxas cobradas dos produtos importados dos territórios ocupados por Israel.
O acordo de Oslo prevê que tanto israelenses como palestinos paguem impostos por serviços prestados um ao outro.
O ministro da Economia palestino, Mazen Sunnugrut, disse que a decisão seria "grave e irresponsável".
Ele chamou a medida de "punição coletiva" e disse que ela iria afetar cerca de 1 milhão de pessoas.
Os palestinos devem apelar à comunidade internacional para que pressione Israel a pagar o que deve, disse Sunnugrut.
A Autoridade Palestina depende de doações internacionais para manter seu precário equilíbrio financeiro.
A União Européia, os Estados Unidos e o Japão já expressaram sua preocupação com a vitória do Hamas e disseram que podem rever a verba que doam se o grupo militante não renunciar à violência.