30 de janeiro, 2006 - 19h58 GMT (17h58 Brasília)
A União Européia anunciou nesta segunda-feira que continuará a financiar a Autoridade Nacional Palestina enquanto seu governo se mantiver comprometido a buscar a paz com Israel.
Ministros do bloco renovaram seus pedidos para o grupo radical islâmico Hamas renunciar à violência e reconhecer o Estado judeu após a vitória da organização nas eleições parlamentares da semana passada.
Anteriormente o líder palestino Mahmoud Abbas havia pedido aos doadores internacionais para continuarem a enviar ajuda financeira aos palestinos.
Os membros da União Européia doaram cerca de US$ 600 milhões para os palestinos em 2005.
Mas a vitória esmagadora do Hamas deixou o bloco europeu em um dilema, porque o grupo, que já lançou dezenas de ataques suicidas contra israelenses, figura na lista de organizações terroristas da União Européia.
A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Ursula Plassnik, que chefiou as discussões em Bruxelas, disse que a UE espera que o novo Parlamento palestino “apóie a formação de um governo comprometido com uma solução pacífica e negociada para o conflito com Israel”.
Apelo
Importantes líderes do Hamas apelaram à União Européia para não interromper o financiamento às autoridades palestinas.
Mahmoud Abbas também pediu aos doadores para não cortar o financiamento para garantir que “as instituições continuem funcionando e que o plano de constituir um Estado palestino independente não seja prejudicado ou interrompido”.
Falando após um encontro com a premiê alemã, Angela Merkel, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, Abbas disse que é essencial que o trabalho da Autoridade Nacional Palestina continue como normal.
Ele também reiterou seu comprometimento com o processo de paz “por meio de negociações e de acordo com a legitimidade internacional”.
Rice
Os Estados Unidos também disseram que interromperão sua ajuda à Autoridade Nacional Palestina se o Hamas não renunciar à violência nem reconhecer Israel.
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse que o governo americano estava “atento às preocupações humanitárias do povo palestino”, mas que esperaria antes de tomar uma decisão sobre continuar ou não com a ajuda.
Um líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyah, havia pedido anteriormente aos Estados Unidos e à UE para respeitarem a escolha democrática do povo palestino e iniciarem um diálogo com o movimento.