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30 de janeiro, 2006 - 23h03 GMT (21h03 Brasília)

Annan estabelece condições para ajudar palestinos

O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse nesta segunda-feira que é inevitável que uma futura ajuda para a Autoridade Nacional Palestina seja revista pelos doadores com base no comprometimento de um novo governo palestino com a não-violência, o reconhecimento de Israel e a aceitação de acordos passados.

Annan falou representando o chamado “Quarteto” de mediadores – ONU, Estados Unidos, União Européia e Rússia – após um encontro internacional em Londres para discutir uma posição comum após a vitória do grupo militante islâmico Hamas nas eleições parlamentares palestinas, na semana passada.

“Todos os membros do futuro governo palestino precisam estar comprometidos com a não-violência, o reconhecimento de Israel e a aceitação de acordos prévios e obrigações”, diz um comunicado do Quarteto lido por Annan ao final da reunião.

Segundo um correspondente da BBC, a linguagem do comunicado indica uma abertura ao Hamas. O texto diz que a ajuda futura será revista com base nestas condições, mas não ameaça cortá-la no curto prazo.

Segundo o correspondente diplomático da BBC James Robbins, as palavras do comunicado foram escolhidas com cuidado. Elas não exigem uma renúncia à violência nem o imediato reconhecimento de Israel, mas um comprometimento com essas questões no futuro.

Os representantes do Quarteto esperam que o Hamas possa se mostrar comprometido com os esforços de paz no futuro.

União Européia

À tarde, ministros da União Européia haviam feito demandas semelhantes do Hamas e disseram que o financiamento ao governo palestino continuará enquanto as novas autoridades provarem que estão comprometidas com a paz com Israel.

Os países da União Européia doaram cerca de US$ 600 milhões aos palestinos em 2005.

A vitória esmagadora do Hamas nas eleições palestinas deixou o bloco europeu em um dilema, porque o grupo, que já lançou dezenas de ataques suicidas contra israelenses, figura na lista de organizações terroristas da União Européia.

Importantes líderes do Hamas apelaram à União Européia para não interromper o financiamento às autoridades palestinas.

Trabalho essencial

Mahmoud Abbas também pediu aos doadores para não cortar o financiamento para garantir que “as instituições continuem funcionando e que o plano de constituir um Estado palestino independente não seja prejudicado ou interrompido”.

Falando após um encontro com a premiê alemã, Angela Merkel, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, Abbas disse que é essencial que o trabalho da Autoridade Nacional Palestina continue como o normal.

Ele também reiterou seu comprometimento com o processo de paz “por meio de negociações e de acordo com a legitimidade internacional”.

Os Estados Unidos também disseram que interromperão sua ajuda à Autoridade Nacional Palestina se o Hamas não renunciar à violência nem reconhecer Israel.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse que o governo americano estava “atento às preocupações humanitárias do povo palestino”, mas que esperaria antes de tomar uma decisão sobre continuar ou não com a ajuda.

Um líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyah, havia pedido anteriormente aos Estados Unidos e à UE para respeitarem a escolha democrática do povo palestino e iniciarem um diálogo com o movimento.