30 de janeiro, 2006 - 17h22 GMT (15h22 Brasília)
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, prometeu nesta segunda-feira honrar os acordos de paz assumidos com Israel.
Ao receber uma visita da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, Abbas fez um apelo aos doadores internacionais para que continuem a ajudar a população palestina.
A União Européia (UE) e os Estados Unidos ameaçam suspender as doações após a vitória do grupo radical islâmico Hamas nas eleições parlamentares da semana passada.
A UE é a maior doadora de recursos para a Autoridade Palestina, tendo enviado US$ 606 milhões (cerca de R$ 1,34 bilhão) em 2005.
"Enfatizei a importância da continuação do apoio financeiro e de outros tipos de ajuda pelo países doadores, para que as instituições continuem a funcionar e para que não seja prejudicado o plano de construir nosso Estado palestino independente", declarou Abbas após a conversa com Merkel.
Abbas negou que sejam verdadeiros os rumores de que pretende renunciar e disse que encontrará líderes do Hamas para formar um novo governo ao longo das próximas duas semanas.
Hamas
Ismail Haniya, um dos principais líderes do Hamas, fez um apelo à União Européia (UE) para que não suspenda a remessa de recursos à Autoridade Palestina.
O apelo de Haniya coincide com reunião dos ministros de relações exteriores dos países da UE em Bruxelas para discutir a suspensão da ajuda depois da vitória do grupo militante nas eleições.
Haniya pediu negociações sem condições entre o Hamas e os doadores internacionais, dizendo que nenhum dinheiro de ajuda seria usado para financiar ataques a Israel.
No domingo, Angela Merkel disse que a União Européia não vai financiar a Autoridade Palestina a menos que o Hamas abdique do uso de violência contra Israel.
"Essa Autoridade Palestina não pode receber dinheiro da União Européia", disse Merkel.
As declarações foram feitas logo após o encontro de Merkel com o premiê interino de Israel, Ehud Olmert, em Jerusalém.
O quarteto formado pelos EUA, União Européia, ONU (Organização das Nações Unidas) e Rússia, que vêm trabalhando no processo de paz no Oriente Médio, também tinha marcado reunião em Londres nesta segunda-feira para discutir a inesperada vitória Hamas.
Os Estados Unidos já haviam declarado que poderiam cortar sua ajuda anual de US$ 400 milhões após a vitória popular do Hamas.
Tanto os EUA como a União Européia classificam o Hamas como um grupo terrorista.
A Autoridade Palestina sempre contou com ajuda financeira internacional, e outros doadores como o Japão e países árabes também estão revendo suas posições.