29 de janeiro, 2006 - 00h28 GMT (22h28 Brasília)
O principal líder do Hamas, Khaled Meshaal, que vive exilado na Síria, disse neste sábado estar preparado para fundir os grupos armados palestinos, incluindo o seu braço militar, para criar um novo Exército.
O anúncio aconteceu dias após a surpreendente vitória do Hamas nas eleições parlamentares palestinas.
Meshaal disse que a nova força militar iria "defender nosso povo contra as agressões".
Ele reafirmou que o grupo não tem planos de se desarmar.
'Chantagem'
"Enquanto estivermos sob ocupação, é nosso direito resistir", disse ele.
Meshaal disse que o Hamas estaria disposto a "unificar as armas de facções palestinas, sob um consenso palestino e formar um exército como qualquer Estado independente".
"Um exército que proteja nosso povo de agressões."
Meshaal disse que o Hamas tinha iniciado consultas com membros do Fatah e de outros partidos para tentar formar um governo de união nacional.
Ele disse que a tarefa prioritária do grupo vai ser a de introduzir reformas na Autoridade Palestina. Ele não deu detalhes, mas disse estar pronto para trabalhar com a Europa e os Eastados Unidos.
Meshaal disse que o Hamas vai respeitar os atuais acordos com Israel "desde que seja do interesse do nosso povo".
Neste sábado, outro líder do Hamas disse que a organização islâmica palestina não vai ceder à pressão internacional para que renuncie à violência.
Ismail Haniya, que esteve no topo da lista dos candidatos do Hamas nas eleições legislativas vencidas pelo grupo nesta semana, disse que os países doadores estariam realizando "chantagem".
O presidente americano George W. Bush, alertou que a ajuda americana concedida à Autoridade Palestina, de U$ 400 milhões, poderia ser cortada, caso o Hamas não abdicasse da violência.
Tensão
Centenas de correligionários armados do Fatah, o partido derrotado nas eleições de quarta-feira, realizaram uma série de protestos neste sábado, em Ramallah e na Cidade de Gaza, contra os seus próprios líderes partidários.
Os manifestantes, entre eles membros das forças de segurança, realizaram uma passeata em Ramallah, dando tiros ao ar.
Um porta-voz das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, milícia armada do Fatah, disse que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, poderia permanecer, mas que outros líderes deveriam sair do partido
Em Gaza, pelo menos 40 manifestantes ocuparam o parlamento local.
Ativistas do Fatah entraram em choque com correligionários do Hamas em várias cidades palestinas. Várias pessoas ficaram feridas.
Um correspondente da BBC em Ramallah disse que os militantes do Fatah estariam enfurecidos e desapontados com seus líderes, e culpam a corrupção entre a velha guarda do partido pela retumbante derrota nas urnas.