27 de janeiro, 2006 - 16h30 GMT (14h30 Brasília)
A oferta da Rússia de enriquecer urânio para o Irã "não é suficiente" para encerrar a crise sobre o programa nuclear iraniano, afirmou o governo de Teerã nesta sexta-feira.
O principal negociador do Irã, Ali Larijani, secretário do Supremo Conselho Nacional de Segurança, disse que a proposta tem seus méritos, mas não é suficiente para suprir "as necessidades de energia nuclear do Irã".
Anteriormente o Irã havia se mostrado animado com a proposta, aumentando as esperanças de que ela poderia por fim à crise.
Em princípio, o presidente americano George W. Bush, havia considerado o plano bom, mas sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, acusou o Irã de estar usando táticas para adiar um confronto.
Marola
Os iranianos estão fazendo "nada a não ser marola para que não sejam levados ao Conselho de Segurança da ONU, e as pessoas não deviam deixar que eles escapassem", disse Rice.
"O tempo para conversar fora do Conselho de Segurança já acabou", completou.
Larijani disse que a proposta russa poderá ser considerada, e poderá ser "parte de um pacote", mas não seria a solução total.
A proposta russa prevê que o urânio a ser usado nas usinas do Irã seja enriquecido por uma empresa conjunta em solo russo. A Rússia também processaria o lixo nuclear iraniano.
Em teoria, se o Irã não tiver capacidade de enriquecer urânio, nem tiver lixo nuclear, ele não poderia refinar o urânio para chegar à qualidade necessária para usá-lo na construção de armas nucleares.
O Irã nega as acusações americanas de que esteja tentando desenvolver armas nucleares, e afirma que quer simplesmente produzir energia nuclear.
A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, a AIEA, vai se reunir em Viena, no próximo dia 2, para debater se devem levar o caso ao Conselho de Segurança.