26 de janeiro, 2006 - 02h56 GMT (00h56 Brasília)
Carlos Chirinos
de Washington
A filha mais velha do ex-presidente chileno Augusto Pinochet, Lucía Pinochet, pediu asilo político nos Estados Unidos nesta quarta-feira, informaram autoridades do Chile.
"O governo do Chile informou oficialmente por meio do embaixador americano em Santiago que a senhora Lucía Pinochet Hiriart pediu asilo político nos Estados Unidos", afirmou o ministro do Interior, Francisco Vidal.
Em Washington, fontes do Departamento de Estado disseram que o governo não comenta informações sobre pedidos de asilo.
O porta-voz do Departamento de Segurança Interior, Jarrod Agen, confirmou à BBC que Lucía Pinochet continua no aeroporto localizado nos arredores da capital americana, onde desembarcou na manhã desta quarta-feira.
"Lucía Pinochet está atualmente sob custódia dao escritório de Alfândega e Proteção de Fronteiras no aeroporto Internacional Dulles, à espera da resolução do seu status migratório", disse Agen, que também se recusou a fazer comentários sobre a solicitação de asilo.
Interpol
Lucía Pinochet foi interrogada por autoridades americanas que receberam uma ordem internacional de prisão.
Como faz com outros membros da sua família, a Justiça chilena a acusa de evasão fiscal e falsificação de documentos.
Os acordos entre Estados Unidos e Chile não prevêem extradição por evasão fiscal, mas, segundo especialistas legais consultados pela BBC Mundo, é provável que a filha de Pinochet seja deportada.
Na avaliação desses especialistas, Lucía Pinochet não teria bases legais para evitar ser enviada de volta ao Chile.
Lucía Pinochet é um dos cinco membros da família do ex-presidente militar que foram acusados na semana passada de enganar o Fisco.
Antes da emissão da ordem de prisão internacional, ela viajou por terra para a Argentina e lá pegou um avião para os Estados Unidos.
Segundo a polícia chilena, a saída de Lucía Pinochet do país foi legal, mas o fato de ela não ter se apresentado em um tribunal de Santiago depois de emitida a ordem de prisão fez o caso ir parar na Interpol.
As acusações contra a esposa de Pinochet, Lucía Hiriart, e quatro dos seus filhos estão relacionadas às supostas contas milionárias mantidas em bancos estrangeiros, a maior parte delas no extinto Riggs Bank de Washington.
O director jurídico da maior autoridade tributária do Chile, Bernardo Lara, disse à BBC que "segundo os cálculos do tribunal, a familia Pinochet deixou de pagar cerca de US$ 2 milhões ao Fisco".
Na terça-feira, depois que um tribunal de apelações do Chile concedeu liberdade aos familiares de Pinochet mediante o pagamento de fiança, um dos filhos do ex-governante disse à imprensa que eles eram inocentes.
O próprio Pinochet enfrenta acusações de evasão de impostos e violações de direitos humanos cometidas durante o governo militar que liderou (1973-90).