24 de janeiro, 2006 - 15h18 GMT (13h18 Brasília)
O julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, que deveria recomeçar nesta terça-feira, foi suspenso até domingo, segundo o tribunal que cuida do caso.
"Algumas testemunhas que deveriam aparecer hoje foram impossibilitadas", disse um porta-voz da corte, Raid Juhi, declarando que tais testemunhas estavam participando de uma peregrinação na Arábia Saudita.
A peregrinação à cidade sagrada de Meca, chamada de Hajj, terminou há 11 dias.
Os trabalhos deveriam ser reiniciados sob o comando de outro juiz, Raouf Abdul Rahman, apontado na segunda-feira para substituir o juiz Rizgar Amin que renunciou em meio a acusações de que estava sendo pouco rígido com o réu.
Família
Correpondentes dizem que há rumores de que o painel de cinco juízes que julga Saddam não estaria de acordo sobre o substituto de Amin.
Alguns estariam dispostos a tentar convencer Amin a voltar e outros prefeririam que um juiz diferente tivesse sido nomeado.
A correspondente da BBC em Bagdá Nicholas Witchell diz que os advogados de defesa de Saddam vêm reclamando de falta de neutralidade do tribunal.
Rahman é curdo e não integrava o painel titular, mas era parte de um painel de suplentes.
Sua cidade natal é Halabja e familiares seus estavam entre os cerca de 5 mil curdos mortos pelas forças de Saddam Hussein usando armas químicas em 1988, durante o levante curdo.
A última vez que Saddam compareceu ao tribunal foi em 22 de dezembro.
Ele e outros sete réus são acusados do assassinato de 148 pessoas em 1982 na vila de Dujail.
Se considerado culpado, ele pode ser condenado à morte.