22 de janeiro, 2006 - 02h40 GMT (00h40 Brasília)
O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz disse que o país não irá tolerar o desenvolvimento da capacidade nuclear do Irã e reafirmou seu compromisso com a diplomacia no impasse.
A crise se agravou na semana passada, quando o Irã rompeu os lacres colocados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) há dois anos em suas instalações nucleares e retomou a pesquisa de seu programa nuclear.
"Estamos dando prioridade neste estágio para as ações diplomáticas. Mas, em todo caso, não podemos tolerar uma opção nuclear por parte do Irã e precisamos nos preparar", disse o ministro israelense neste sábado, durante uma conferência em Tel Aviv.
Mofaz acrescentou que seu país tem de levar a "ameaça iraniana" a sério e que tem "capacidade de se defender".
Conselho de Segurança
As afirmações de Mofaz ocorrem depois de o primeiro-ministro interino israelense Ehud Olmert afirmar na terça-feira que seu país não vai permitir que alguém que ameaça sua existência obtenha armas de destruição em massa.
Representantes do Ministério das Relações Exteriores de Israel apóiam sanções contra o Irã por parte da comunidade internacional e esperam que a crise seja resolvida por meios diplomáticos.
O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas países do Ocidente suspeitam que Teerã está tentando desenvolver armas nucleares.
A AIEA tem um encontro marcado para o dia 2 de fevereiro para discutir se leva o Irã ao Conselho de Segurança da ONU, o que abririra a possibilidade de impôr sanções contra o país.
Líderes israelenses têm dito constantemente que qualquer medida nuclear seria parte de um esforço internacional e autoridades israelenses negaram qualquer intenção de realizar um ataque preventivo unilateral.
As preocupações de Israel em relação ao Irã aumentaram desde a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que disse que Israel deveria ser "riscado do mapa".
Falta de confiança
No discurso realizado neste sábado, Mofaz também alertou o povo iraniano de que seu presidente traria desgraça a eles caso continuasse com essas afirmações, segundo informações da agência de notícias Reuters.
"Ahmadinejad, suas afirmações alucinatórias, suas ações criminosas e seus pontos-de-vista extremos, vão trazer desgraça a vocês", afirmou Mofaz.
"Façam o que vocês acreditam que deva ser feito para evitar isso."
Os Estados Unidos, Israel e muitos países europeus não confiam no Irã, em parte porque o país manteve sua pesquisa nuclear em segredo durante 18 anos antes de revelá-la em 2002.
Israel não admite nem nega que tenha armas nucleares, mas acredita-se que o país detenha de algumas.