22 de janeiro, 2006 - 18h16 GMT (16h16 Brasília)
O presidente de Geórgia, Mijail Saakashvili, acusou a Rússia de haver orquestrado as explosões na madrugada de domingo, que cortaram todo o abastecimento de gás da Geórgia e para a Armênia.
Duas explosões simultâneas no sul da Rússia, próximas à fronteira com a Geórgia, destruíram o gasoduto principal entre os dois países e derrubaram cabos de eletricidade, em um momento em que as temperaturas estão extremamente baixas e o consumo energético aumentou.
A Rússia usa o gasoduto danificado para exportar gás para a Armênia, que também foi afetada.
Em entrevista à BBC, Saakashvili disse que as explosões foram ataques planejados e orquestrados pela Rússia.
Rechaço
O governo russo declarou que as explosões foram criminosas, resultado de atos deliberados, provocados por insurgentes anti-russos. A explicação foi rechaçada pela Geórgia.
Segundo o presidente Saakashlivi, a razão das explosões foi aumentar a pressão sobre seu país para que ceda sua rede doméstica de gasodutos para a Rússia.
A Geórgia enfrenta o pior inverno dos últimos 20 anos e depende totalmente da Rússia para o fornecimento de gás. O conserto do gasoduto vai demorar pelo menos 20 dias e fontes alternativas de energia estão sendo buscadas.
As relações entre a Geórgia e a Rússia estão tensas desde que Saakashvili assumiu o poder na chamada "Revolução das Rosas", que acabou em 2003 com o governo pró-Rússia de Eduard Shevardnadze.
Saakashvili tem uma linha pró-européia e vem tentando se aproximar do ocidente.
Pressão
Saakashvili disse acreditar que as explosões aconteceram em uma zona controlada por guardas de fronteira russos, onde não há presença de insurgentes russos.
E acrescentou que os ataques foram planejados de maneira a não prejudicar a população russa.
O correspondente da BBC em Moscou, Damian Grammaticas, diz que a reação da Rússia às acusações foi repetir que os ataques foram atos de sabotagem e que serão investigados.