22 de janeiro, 2006 - 21h33 GMT (19h33 Brasília)
Soldados da Força de Paz da ONU mataram quatro combatentes dissidentes na República Democrática do Congo neste domingo e expulsaram os rebeldes que haviam tomado uma cidade e forçado quase 50 mil pessoas a fugirem de suas casas.
Soldados leais ao ex-comandante do Exército e agora renegado Laurent Nkunda, que rejeitou o processo de paz para acabar com uma guerra civil de cinco anos, iniciaram a ofensiva no leste do país na última quinta-feira e ocuparam brevemente várias cidades e aldeias.
No domingo, segundo a agência Reuters, os combatentes leais a Nkunda atacaram 80 soldados das Forças de Paz (indianos) que seguiam para a cidade de Rwindi, cerca de 150 quilômetros ao norte de Goma, depois de expulsarem tropas do governo da região.
"Quatro rebeldes foram mortes e outros três capturados hoje. Eles serão interrogados e saberemos mais depois", disse o tenente-coronel Mayank Awasthi, porta-voz militar da ONU na província de Kivu norte.
Mais de 50 mil deslocados e refugiados
Soldados da Força de Paz tomaram o controle de Rwindi depois do ataque. Não houve vítimas entre os soldados da ONU.
Uma fonte da ONU disse que cerca de 55 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas por causa dos ataques rebeldes e milhares cruzaram a fronteira para Uganda.
De acordo com um funcionário de um agência humanitária, o número de deslocados e refugiados nos conflitos recentes pode ultrapassar 80 mil.
20 mil na fronteira
A Agência de Refugiados da ONU disse que 20 mil pessoas se refugiaram em Uganda.
Um campo de pouso sem água ou energia elétrica está abrigando um acampamento com 15 mil pessoas próximo a Kisoro, a 450 km de Kampala. Outras 5 mil pessoas estariam em um acampamento a 5km de distância do primeiro.
"A preocupação mais urgente para ambos os grupos são a falta de água potável, comida, abrigo e saneamento", afirma um comunicado da agência.
"A maioria dos refugiados afirma que quer ficar perto da fronteira para poder voltar para casa assim que se sentirem seguros".
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) afirma que as autoridades em Uganda identificaram 84 combatentes que foram desarmados e que os rebeldes estão sendo mantidos separados dos civis.
O governo da Uganda garante que vai entregar os rebeldes às autoridades da República Democrática do Congo.
Nkunda e seus seguidores são de origem ruandesa e analistas acreditam que eles temem que a volta de um governo central ao país com o processo de paz vá tirar a influência do grupo, ganha durante a guerra (1998-2003), quando rebeldes pró-Ruanda controlavam a região.