16 de janeiro, 2006 - 18h08 GMT (16h08 Brasília)
O governo do Irã proibiu nesta segunda-feira os jornalistas da rede de TV CNN de trabalhar no país depois de um erro na tradução dos comentários do presidente Mahmoud Ahmadinejad, disse o ministro da Cultura.
A CNN corrigiu o erro, depois de afirmar que o presidente havia dito que o Irã tem direito a usar "armas" nucleares em vez de "tecnologia" nuclear.
Segundo a agência oficial de notícias do país, a Irna, o ministro da Cultura disse que a CNN violou a "ética profissional".
A CNN não tem um escritório em Teerã, mas geralmente consegue autorização para cobrir eventos no país.
A chefe dos correspondentes internacionais da rede, Christiane Amanpour, está atualmente no país.
Lacres violados
A rede americana de TV transmitiu ao vivo a entrevista coletiva do presidente Ahmadinejad no sábado.
Segundo a tradução simultânea, o presidente teria dito: "Nós acreditamos que todas as nações podem ter armas nucleares" e que o Ocidente não deveria "impedir que tenhamos armas nucleares".
O governo afirma que a palavra persa para tecnologia foi traduzida como armas.
Nesta segunda-feira, o ministro da Cultura divulgou um comunicado afirmando que "levando em consideração as ações da CNN contrárias à ética profissional nos anos passados e a distorção dos comentários do presidente neste sábado... nenhum jornalista da CNN será autorizado a vir para o Irã".
"Qualquer revisão desta decisão depende do desempenho da CNN no futuro."
A CNN ainda não respondeu.
O Irã insiste que seu programa nuclear é para a produção de energia, não de armas.
Alemanha, Inglaterra, França e Estados Unidos estão tentando convencer a Rússia e a China a apoiar uma linha dura contra o programa nuclear do Irã, em uma reunião a portas fechadas em Londres.
Na semana passada, o Irã violou o lacre de três instalações nucleares pondo fim à moratória de dois anos em experiências atômicas.