16 de janeiro, 2006 - 16h20 GMT (14h20 Brasília)
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que sua posição a respeito do programa de combustível nuclear do Irã está muito próxima dos países europeus e dos Estados Unidos.
Falando em Moscou depois de uma reunião com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, Putin destacou a importância da cautela para a resolução do impasse.
"É necessário trabalhar cuidadosamente, sem tomar medidas abruptas ou erradas. Pessoalmente, não permito um único anúncio descuidado e não permito que o Ministério do Exterior tome uma medida incerta", disse o presidente.
Putin também acrescentou que o Irã não havia descartado a proposta russa de que os iranianos deveriam enriquecer urânio no território russo.
O presidente russo disse que ainda não há resposta definitiva do governo do Irã, mas o Ministério do Exterior iraniano indicou que a proposta ainda não havia sido excluída.
Reunião em Londres
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Alemanha estão reunidos nesta segunda-feira em Londres para discutir possíveis represálias ao Irã, sejam diplomáticas ou até sanções.
Os governos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da França, da Rússia, da China e da Alemanha vão discutir que medidas tomar diante da insistência iraniana em retomar o programa atômico, alegando que ele tem fins pacíficos.
Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Alemanha são a favor de encaminhar o caso para o Conselho de Segurança da ONU para possíveis sanções e tentam convencer a China e a Rússia do mesmo.
Antes da reunião, o ministro do Exterior britânico, Jack Straw, afirmou que o Irã tem que dar garantias para a comunidade internacional a respeito de suas intenções.
O Irã insiste que seu programa nuclear visa apenas a produção de eletricidade.
Enquanto isso, cresce nos Estados Unidos a discussão sobre uma possível intervenção militar no país.
O senador republicano John McCain, considerado por muitos um possível candidato à Presidência em 2008, disse que uma operação no Irã deveria ser apenas a última opção.
'Força de morte'
Já o democrata Evan Bayh classificou o Irã de "força de instabilidade e morte" e pediu uma intervenção no programa nuclear com ataques a elementos dele.
O ministro do Exterior da Arábia Saudita, príncipe Saud Al Faisal, afirmou nesta segunda-feira que espera que o Irã não esteja começando uma corrida armamentista no Oriente Médio.
Em entrevista à BBC, Faisal também acusou os governos ocidentais de terem provocado a atual tensão com o Irã ao permitir que Israel, continuou o ministro saudita, desenvolvesse um arsenal nuclear.
Oficialmente, o governo israelense nega ter armas nucleares.
Em entrevista à revista americana Newsweek, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohammed El Baradei, afirmou estar perdendo a paciência com o Irã.
Ele afirmou que, depois de três anos de trabalho intensivo, ainda não é possível concluir se o programa nuclear do Irã tem objetivos meramente pacíficos ou se visa ao desenvolvimento de armas.
'Imaginação'
Baradei disse ainda que a ameaça do governo iraniano de expulsar os inspetores da AIEA do país pode repercutir como um tiro pela culatra, já que "as coisas vão ficar a cargo da imaginação das pessoas".
No domingo, o porta-voz do governo do Irã disse que pretende sediar uma conferência para debater a escala e as consequências do Holocausto judeu durante a 2ª Guerra Mundial.
O presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, causou polêmica recentemente ao sugerir que Israel deveria se mudar para a Europa ou para os Estados Unidos.
Um porta-voz iraniano disse que o seminário examinaria as "evidências científicas" do Holocausto.
Hamid Reza Asefi, porta-voz do ministério das Relações Exteriores, disse que o debate não deve ser censurado.
"É um mundo curioso. Pode-se discutir qualquer coisa, menos o Holocausto", disse ele.