12 de janeiro, 2006 - 19h38 GMT (17h38 Brasília)
Uma autoridade do Irã declarou nesta quinta-feira que o país não está preocupado com a ameaça dos países europeus de levar o país ao Conselho de Segurança da ONU por causa da decisão de retomar seu programa nuclear.
Segundo a agência de notícias Reuters, Abdolreza Rahmani-Fazli, vice-secretário do Supremo Conselho Nacional de Segurança, fez a declaração à rede estatal de TV.
Mais cedo, os ministros das Relações Exteriores de Alemanha, Grã-Bretanha e França disseram que o Irã deve ser levado ao Conselho depois de ter retomado unilateralmente suas atividades nucleares.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeyer, disse que a confiança da União Européia no Irã foi abalada profundamente.
Confiança abalada
Após reunir-se com seus colegas britânico e francês, Steinmeyer disse que eles decidiram pedir ao comitê executivo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para analisar o assunto.
Na terça-feira, o Irã rompeu os lacres internacionais de sua unidade de pesquisas sobre enriquecimento de urânio em Natanz, gerando preocupações dos Estados Unidos, da União Européia e da Rússia.
Eles temem que o Irã esteja tentando desenvolver armas atômicas, o que Teerã nega.
O encontro dos ministros europeus deve levar a uma outra reunião, de emergência, da diretoria da AEIA, provavelmente em duas ou três semanas.
A diretoria pode então remeter o caso ao Conselho de Segurança da ONU em Nova York. O conselho da AIEA precisa de maioria simples entre os 35 membros (entre eles o Brasil) para encaminhar o caso para o Conselho de Segurança da ONU.
O Conselho de Segurança poderia tomar várias medidas, que vão desde a divulgação de uma declaração de apoio aos esforços da AIEA em relação ao assunto até a adoção de sanções contra Irã.
O ministro das Relações Exteriores britânico, Jack Straw, disse que várias propostas foram feitas ao Irã, incluindo a possibilidade de entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas que apesar dos esforços o Irã deu as costas aos negociadores europeus. Segundo ele, o país não deixou alternativa a não ser recorrer ao Conselho de Segurança.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, insistiu que as pesquisas nucleares de seu país continuarão apesar do “barulho” ocidental.
Segundo declarações de um diplomata ocidental em Viena a agências de notícias, o Irã rompeu nesta quinta-feira os lacres de mais duas de suas unidades nucleares.
O diplomata, que pediu anonimato, disse que o equipamento nuclear iraniano está em mau estado, exigindo algum tempo para que os trabalhos possam ser efetivamente retomados.