11 de janeiro, 2006 - 23h37 GMT (21h37 Brasília)
A recuperação do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, poderá levar meses, segundo um dos médicos da equipe que está tratando o premiê depois do derrame que sofreu há uma semana.
Jose Cohen disse a um canal de televisão israelense, em uma longa entrevista, que Sharon ainda está correndo risco de vida.
"A vida do primeiro-ministro ainda está em perigo. Ele sofreu um derrame grave. Até que tenham se passado mais alguns estágios, estaremos cautelosos. Sabemos que, a cada dia, estamos retirando-o deste perigo, mas ele ainda está em perigo", disse o médico ao Canal Um.
"Não pensamos em termos de dias ou semanas. Isto vai levar um longo tempo", acrescentou Cohen.
Quando perguntado se a recuperação de Sharon pode levar meses, ele respondeu: "Sim, sim, meses".
Os médicos haviam afirmado que o estado de saúde de Sharon havia apresentado uma pequena melhora, com algum movimento observado nos dois lados do corpo. O primeiro-ministro continua em estado crítico, porém estável.
Sharon agora está sob o efeito de uma dose baixa de sedativos, que o mantêm em coma. Quando a medicação for retirada, médicos poderão avaliar a extensão dos danos neurológicos.
O hospital Hadassah, em Jerusalém, onde Sharon está internado, informou nesta quarta-feira que o premiê israelense demonstrou "melhoras adicionais, comprovadas por meio de exames neurológicos realizados por seus médicos".
O cirurgião-chefe, Felix Umansky, disse que o primeiro-ministro israelense parecia reagir a palavras ditas por seu filho, Gilad Sharon.
"Sua pressão sangüínea aumentou imediatamente", disse ele à televisão israelense.
Política
As declarações do médico alertando as pessoas para não alimentarem muitas esperanças em relação a Sharon parecem descartar a possibilidade de que ele lidere seu novo partido político, o Kadima, nas eleições de março, segundo o correspondente da BBC, Richard Galpin, em Jerusalém.
Mas há sinais de que o sistema político do país estava começando a voltar ao normal nesta quarta-feira.
Pesquisas de opinião mostraram que o Kadima ainda venceria as eleições mesmo sem a liderança de Sharon e o partido Trabalhista disse que já está em campanha eleitoral.
O líder do Likud, Benjamin Netanyahu, determinou que os quatro ministros do partido entreguem nesta quinta-feira os seus cargos no governo agora liderado pelo primeiro-ministro interino Ehud Olmert.
Em um comunicado, o escritório central do Likud diz que não poderia se apresentar como uma alternativa ao governo nas eleições de março se continuasse fazendo parte da coalizão governista.
A saída do Likud, partido ao qual Sharon pertencia antes de fundar o centrista Kadima no final do ano passado, já estava planejada fazia tempo, mas foi suspensa em respeito ao estado de saúde de Sharon.
O primeiro-ministro deixou o partido por causa da oposição de facções do Likud ao seu plano de retirada de colonos e militares de Gaza e partes da Cisjordânia.
Vários políticos do partido, incluindo o atual premiê interino, se aliaram a Sharon na fundação do Kadima.
'Perto da morte'
Em sua entrevista, o médico Jose Cohen também descreveu como Sharon esteve perto da morte quando foi levado às pressas ao hospital na quarta-feira passada.
Os médicos tiveram que fazer uma operação imediatamente depois da chegada de Sharon ao hospital, para salvar sua vida, segundo o médico.
Quando a equipe médica retirar completamente a medicação que mantém o premiê em coma, serão feitos testes de respostas cognitivas e comunicar sua avaliação dos danos cerebrais sofridos por Sharon ao procurador-geral de Israel, Menachem Mazuz.
Se a avaliação declarar que Sharon ficou permanentemente incapacitado e não poderá retornar ao cargo de primeiro-ministro, será convocada uma reunião do gabinete de governo para escolher um líder interino para ser o primeiro-ministro até a eleição geral no dia 28 de março.