11 de janeiro, 2006 - 01h11 GMT (23h11 Brasília)
O governo de Israel só decidirá neste domingo se vai permitir, ou não, que os palestinos do leste de Jerusalém votem nas eleições de 25 de janeiro.
Israel ameaçou proibir a votação na área em protesto contra a participação do grupo militante palestino Hamas nas eleições.
O ministro da Defesa, Shaul Mofaz, disse nesta terça-feira a jornalistas que a votação dos palestinos que mora nessa área de Jerusalém seria permitida.
"Israel vai seguir a mesma política usada nas eleições de 1996, o que significa que vai permitir que as pessoas votem em cinco agências do correio no leste de Jerusalém", afirmou.
Mais tarde, porém, o primeiro-Ministro interino, Ehud Olmert, disse à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que a decisão final ainda não tinha sido tomada.
"O primeiro-ministro interino afirmou que vai apresentar a questão, da participação do leste de Jerusalém nas eleições palestinas, ao gabinete de governo no domingo", diz a declaração divulgada pelo gabinete de Olmert.
Capital
Israel afirma que Jerusalém é sua capital indivisível, mas os palestinos insistem que o leste da cidade deve ser a capital de um futuro Estado palestino.
A comunidade internacional nunca aceitou a anexação do lado leste de Jerusalém, a partir da guerra de 1967. A área continua sendo considerada pela ONU uma área palestina, parte da Cisjordânia, ocupada por Israel.
O líder palestino, Mahmoud Abbas, ameaçou cancelar as eleições se não fosse permitida a votação livre na região.
Na segunda-feira, Abbas afirmou que recebeu garantias pessoais do presidente americano, George W. Bush, de que os moradores palestinos do leste de Jerusalém teriam como votar.
O secretário geral do Conselho de Ministros Palestinos, Samir Hulaila, disse à BBC que espera que a decisão de Israel signifique que os moradores palestinos da área tenham acesso a todo o processo democrático.
Ele acrescentou que espera que Israel permita que estes palestinos votem como cidadãos, não como imigrantes em um país estrangeiro.
O negociador-chefe dos palestino, Saeb Erekat, disse que é muito importante que as eleições ocorram na data prevista, e pediu que Israel não coloque nenhum obstáculo à votação.
O anúncio feito pelo ministro da Defesa, Shaul Mofaz, foi feito durante a visita do assistente da secretária de Estado americana, David Welch, e do vice-conselheiro de segurança nacional, Elliot Abrams, à região.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse na segunda-feira que os dois iriam à região discutir a eleição com o governo israelense e a Autoridade Palestina.