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06 de janeiro, 2006 - 15h46 GMT (13h46 Brasília)

Sharon tem melhora 'substancial' após nova cirurgia

O diretor do hospital em que está internado o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que o premiê teve uma melhora "substancial" depois de uma nova cirurgia a que se submeteu nesta sexta-feira.

O diretor, Shlomo Mor-Yosef, disse que Sharon, de 77 anos, permanece em estado crítico, mas sua condição é estável.

O premiê havia sido levado de volta à mesa de operações no início da tarde após uma tomografia ter detectado novos sangramentos em seu cérebro.

Segundo Shlomo Mor-Yosef, o exame indicou um aumento da pressão intra-craniana e a nova intervenção cirúrgica foi necessária para conter o sangramento e aliviar essa pressão.

Vejas as últimas fotos de Sharon e da repercussão de sua internação

"Não há mais sangramento e a pressão intra-craniana retornou ao normal", disse Mor-Yossef após a nova cirurgia.

Anteriormente, os médicos responsáveis pelo tratamento do primeiro-ministro haviam dito que não esperavam grandes mudanças no seu estado de saúde.

Eles haviam dito que Sharon permaneceria sedado, em um coma induzido, pelo menos até o domingo.

Sharon, que sofreu um derrame na noite de quarta-feira, estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, depois de passar por cirurgias de sete horas para estancar a hemorragia em seu cérebro.

Os seus poderes foram transferidos interinamente para o vice-primeiro-ministro Ehud Olmert logo após a sua internação.

Adiamento

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, cancelou uma viagem de seis dias para a Indonésia e Austrália devido à situação no Oriente Médio, segundo informações de um porta-voz.

Rice teria conversado com Olmert pelo telefone nesta sexta-feira.

Correspondentes afirmam que assistentes de Sharon trabalham com a premissa de que ele não será capaz de retornar ao trabalho.

Como presidente do recém-formado partido Kadima, Sharon era o favorito nas eleições gerais do dia 28 de março em Israel.

Mas uma pesquisa publicada pelo jornal israelense Yediot Ahronot nesta sexta-feira afirma que o Kadima, liderado por Olmert, ainda venceria 39 dos 120 assentos no Knesset, o parlamento do país, com os Trabalhistas conseguindo 20 cadeiras e o Likud, 16.

Olmert se reuniu com seu colega de Kadima, Shimon Peres, um adversário político que foi para o partido fundado por Sharon, nesta sexta-feira.

Peres afirmou que Olmert estava "muito preocupado" com a saúde do primeiro-ministro.

"Nós saberemos como continuar a política de Israel...continuar com as políticas de Ariel Sharon", acrescentou Peres.

Afastamento permanente

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mark Regev, disse que o governo continuará a implementar as políticas de Ariel Sharon apesar de seus problemas de saúde.

Regev disse que este é um período difícil para o país e que o governo vai precisar de alguns dias para se ajustar à nova situação, sem um homem cuja presença era tão dominante no processo político.

O ex-primeiro-ministro Ehud Barak disse à BBC, logo depois da última operação, que Sharon está nos dias ou nas horas finais de sua vida.

Mas, Felix Umansky, líder da equipe que realizou a cirurgia no primeiro-ministro, disse à agência de notícias AFP que ainda há chances de recuperação.

"Poucas chances"

Para o professor Tzvi Ram, diretor do departamento neurocirúrgico do hospital Ihilov, de Tel Aviv, são pequenas as chances de sobrevivência do primeiro-ministro.

De acordo com Ram, o prognóstico de Sharon “é muito ruim, as chances de sobreviver a um derrame desta dimensão são poucas e as chances de poder voltar a um funcionamento normal são menores ainda”.

As eleições gerais israelenses continuam marcadas para o dia 28 de março, conforme planejado.

"A dissolução do parlamento e as eleições... não foram afetados pela condição da saúde do primeiro-ministro", disse um comunicado do Ministério da Justiça.

A imprensa e os círculos políticos estão especulando que, mesmo que Sharon se recupere, ele não deve continuar a governar o país.

O correspondente da BBC em Jerusalém Jeremy Bowen disse que o derrame de Sharon muda todos os cálculos políticos em Israel.

Segundo Bowen, nenhum dos outros candidatos a primeiro-ministro é capaz de inspirar a mesma confiança dos eleitores e têm a vontade, experiência ou a intenção de levar adiante os planos de Sharon.