06 de janeiro, 2006 - 13h52 GMT (11h52 Brasília)
Brasil, Alemanha e Índia reapresentaram sozinhos a a proposta de reforma do Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira, sem o endosso do Japão.
A proposta é idêntica à apresentada na Assembléia Geral em julho de 2005, que como outras apresentadas não obteve o apoio necessário - dois terços dos países membros, foi rejeitada pelos Estados Unidos e pela China e nunca chegou a ser votada.
"Não acreditamos que voltar a submeter a proposta neste momento é benéfico", justificou Shinzo Abe, o principal porta-voz do governo japonês e Ministro-Chefe do Gabinete. "Nosso país continua a buscar uma proposta de resolução que possa obter o apoio de mais países e está discutindo o assunto com os Estados Unidos".
A proposta reapresentada prevê a ampliação do Conselho de Segurança de 15 para 25 membros. Dos 10 novos assentos no Conselho, seis seriam permanentes e quatro não-permanentes. Os atuais membros permanentes - os únicos com direito a veto - são os Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha.
Lingüagem Diplomática
Abe afirmou que o Japão compreende que a reapresentanção é uma jogada estratégica com o objetivo de se opor à submissão de outra resolução no mesmo sentido proposta pela União Africana. E frisou que os três países não têm intenção de submeter a proposta ao voto no futuro imediato, o que foi endossado pelo governo brasileiro.
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores afirma que "Brasil, Alemanha e Índia manterão o quadro de cooperação no G-4 com o Japão", negando que o Grupo dos 4, como ficou conhecido, tenha sido desfeito.
O Japão gostaria de incluir os outros países do G-4 na proposta que vem sendo discutida com os Estados Unidos, mas o principal problema é que o governo americano não aceita o alargamento do Conselho de Segurança para 25 membros.
Os japoneses estariam tentando convencer os americanos a aceitar a expansão para 21. E a obter apoio para romper a oposição da China à sua entrada no Conselho de Segurança. O país é o segundo maior financiador das Nações Unidas.
Outra proposta do Japão, seria a criação do status de membros semi-permanentes no Conselho de Segurança, segundo a agência Kyodo, citando oficiais do governo japonês.
Pela proposta, os semi-permanentes integrariam o Conselho por mais tempo que os dois anos concedidos aos membros não-permanentes.
Segundo a agência de notícias France Press, o ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, disse que apesar de o Japão ter decidido não participar do G-4 desta vez, os três outros países vão continuar a consultar o governo japonês em relação ao assunto.