07 de janeiro, 2006 - 01h00 GMT (23h00 Brasília)
O Conselho de Segurança da ONU pediu que o governo interino do Haiti realize eleições até o dia 7 de fevereiro.
A organização fez o anúncio depois de realizar uma sessão de emergência para debater os vários adiamentos que o governo interino já determinou para a votação.
Quando o quarto adiamento foi confirmado, na última semana de dezembro, autoridades do Haiti acusaram a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA) de fracassarem em seu papel de preparar o país para a eleição.
Tanto a ONU como a OEA negam que tenham falhado.
A eleição que havia sido marcada para este domingo seria a primeira desde que o presidente Jean-Bertrand Aristide foi retirado do poder em fevereiro de 2004.
O Conselho de Segurança pediu que o Haiti "anuncie rapidamente datas novas e definitivas para as eleições, o primeiro turno a ser realizado dentro de semanas, mas não depois de 7 de fevereiro de 2006".
Lendo a declaração, o atual presidente do conselho, Augustine Mahiga, da Tanzânia, afirmou que as eleições devem ocorrer de acordo "com os padrões democráticos internacionais e outras condições que levem à maior participação possível".
Violência
"O Conselho de Segurança reitera que a futura eleição é um passo fundamental na direção da restauração da democracia e estabiliade do Haiti", acrescentou Mahiga.
A declaração também expressou preocupação a respeito "da deterioração da segurança" na capital do Haiti, Porto Príncipe, e pediu que a polícia haitiana e a missão da ONU no país "intensifiquem sua cooperação para melhorar a segurança, restaurar e manter a lei".
Um dos países mais pobres do mundo, o Haiti está sofrendo com a violência política e simplesmente criminosa.
Ao anunciar o mais recente adiamento das eleições, autoridades do Haiti afirmaram que a muitos dos 3,5 milhões de eleitores registrados não tinham recebido seus títulos.
Mas o chefe da missão da OEA no Haiti, Denneth Modeste, disse que os documentos já estão prontos desde setembro e que só não foram distribuídos a pedido das autoridades eleitorais pois os locais de votação ainda não tinham sido escolhidos.
O secretário-geral do Conselho Eleitoral, Rosemond Pradel, disse no final de dezembro que estava cansado de ver estrangeiros sentados, gastando dinheiro, sem conseguir resultados.