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05 de janeiro, 2006 - 13h04 GMT (11h04 Brasília)

Em estado grave, Sharon é mantido em UTI

O primeiro-ministro Ariel Sharon está sendo mantido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Hadassa Ein Kaem, em Jerusalém, depois de ter sofrido um derrame na noite de quarta-feira.

Após duas operações, os médicos conseguiram estancar o processo de hemorragia cerebral.

No entanto, sua situação permanece delicada.

Em fotos: Veja imagens da internação e crise de saúde

“Ele está estável. Todos os seus sinais vitais estão dentro dos limites normais, mas sua condição é grave”, afirmou Shlomo Mor-Yosef, diretor do hospital em Jerusalém.

Eleições

O vice de Sharon, Ehud Olmert, foi nomeado primeitro-ministro interino.

As eleições gerais israelenses continuam marcadas para o dia 28 de março, conforme planejado.

"A dissolução do parlamento e as eleições ...não foram afetados pela condição da saúde do primeiro-ministro", disse um comunicado do ministério da Justiça.

A mídia e os círculos políticos estão especulando que mesmo que Sharon se recupere, ele não deve continuar a governar o país.

O correspondente da BBC em Jerusalém, Jeremy Bowen, disse que o derrame de Sharon muda todos os cálculos políticos em Israel.

Segundo Bowen, nenhum dos outros candidatos a primeiro-ministro é capaz de inspirar a mesma confiança dos eleitores e tem a vontade, experiência ou a intenção de levar adiante os planos de Sharon.

"Poucas chances"

De acordo com Mor-Yosef, o primeiro-ministro terá que ficar conectado a um respirador artificial “por pelo menos 24 horas”.

Sharon está sendo mantido sedado como parte do tratamento par minimizar os danos causados pelo derrame.

Para o professor Tzvi Ram, diretor do departamento neuro-cirúrgico do hospital Ihilov, de Tel Aviv, são pequenas as chances de sobrevivência do primeiro-ministro.

De acordo com Ram, o prognóstico de Sharon “é muito ruim, as chances de sobreviver a um derrame desta dimensão são poucas e as chances de poder voltar a um funcionamento normal são menores ainda”.

O vice de Sharon

Na noite manhã desta quinta-feira, o premiê foi levado de volta à mesa de operações após ter passado por uma operação que durou mais de 6 horas durante a madrugada. Ele foi hospitalizado às pressas na quarta-feira, às 23h (19h em Brasília).

Ao término da primeira cirurgia, o primeiro-ministro foi submetido a uma tomografia computadorizada que indicou que, apesar dos esforços dos médicos, a hemorragia cerebral não havia sido estancada.

Os cirurgiões resolveram então que Sharon deveria retornar à mesa de operações, segundo Mor-Yossef, "para tratar de outras regiões do cérebro".

O analista político Raviv Druker afirmou que o sistema político em Israel trabalha com a hipótese de que Ariel Sharon não vai poder voltar ao cargo de primeiro-ministro. "Trata-se de uma situação política inteiramente nova e cheia de pontos de interrogação", disse Druker.

Poucos minutos depois da chegada de Sharon ao hospital Hadassa, todos os seus poderes foram transferidos ao vice-primeiro-ministro Ehud Olmert.