04 de janeiro, 2006 - 13h40 GMT (11h40 Brasília)
Um homem-bomba matou pelo menos 32 pessoas e deixou dezenas de feridos em um funeral xiita, aumentando para mais de 50 o número de mortos em vários ataques no Iraque nesta quarta-feira, o dia mais violento no país desde as eleições parlamentares de dezembro.
Pouco depois do ataque no funeral, rebeldes armados com lançadores de granadas-foguete e metralhadoras emboscaram um comboio de 60 caminhões-tanque em uma estrada ao norte de Bagdá, destruindo pelo menos 18 deles.
O comboio levava um importante suprimento de combustível à capital, que enfrenta uma grave falta de gasolina.
O ataque no funeral foi em Muqdadiyah, cerca de 90 km ao norte de Bagdá.
Túmulos ensanguentados
Segundo a polícia, cerca de cem pessoas participavam de um funeral, quando foram atacadas com morteiros e armas de fogo automáticas.
Elas buscaram refúgio em um cemitério, onde se encontrava o homem-bomba, que se explodiu.
A explosão teria deixado partes de corpos espalhados pelo cemitério e vários túmulos ensanguentados.
O ataque ocorreu poucas horas depois de um carro-bomba ter matado pelo menos sete pessoas e deixado 15 feridos em um mercado no subúrbio de al-Dawra, no sul de Bagdá.
A polícia disse que mais cedo, atiradores mataram uma autoridade de alto escalão do ministério do Petróleo e seu filho, no oeste da cidade.
As autoridades dizem que outro carro-bomba, no distrito predominantemente xiita de Kadhimiya, em Bagdá, matou três pessoas em frente a uma delegacia.
Em outro incidente, pelo menos dois civis iraquianos foram mortos na explosão de uma bomba colocada à beira de uma estrada em Kirkuk, 290 km ao norte de Bagdá, que deveria atingir um comboio do exército americano.
Pelo menos três pessoas morreram quando um carro-bomba explodiu na cidade sagrada xiita de Kerbala.
Um soldado iraquinao foi morto e dois foram feridos por uma bomba, quando faziam patrulha em Latifiya, no reduto sunita ao sul de Bagdá conhecido como "Triângulo da Morte".
A nova onda de violência vem no momento em que políticos xiitas, sunitas e curdos tentam formar um governo de coalizão para dirigir o país, depois das eleições de dezembro.
Funeral
A polícia diz que o atentado no funeral em Muqdadiyah faz parte da campanha para tentar provocar uma guerra civil entre xiitas e sunitas.
O funeral era do enterro do sobrinho do político xiita Ahmed al-Bakka.
Ahmed Al-Bakka é o chefe local do partido Dawa, liderado pelo primeiro-ministro iraquiano Ibrahim al-Jaafari e um dos principais integrantes da maior coalizão política xiita do país, a Aliança Unida Iraquiana.
Ele tinha sobrevivido a um atentado na terça-feira, que matou seu sobrinho, e ainda não se sabe se ele sobreviveu ao ataque desta quarta-feira.