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03 de janeiro, 2006 - 18h18 GMT (16h18 Brasília)

Israel impede campanha eleitoral palestina em Jerusalém

A polícia israelense impediu nesta terça-feira dois políticos palestinos de realizar campanha eleitoral em Jerusalém Oriental, no primeiro dia de campanhas para as eleições legislativas palestinas.

Os candidatos independentes Hanan Ashrawi e Mustafa Barghouti ouviram da polícia que a lei israelense proíbe atividades políticas palestinas nessa região da cidade.

Israel ainda não decidiu se vai permitir a votação dos palestinos na parte leste de Jerusalém, reivindicada como capital pela Autoridade Nacional Palestina.

O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurei, exigiu que Israel "não apenas permita que os palestinos de Jerusalém possam votar como também permita que os candidatos realizem campanha".

O pleito, que vai eleger o parlamento palestino, está marcado para o final de janeiro.

Adiamento

O presidente da Autoridade Nacional Palestina e líder do partido governista Fatah, Mahmoud Abbas, disse ser favorável ao adiamento do pleito se Israel impedir o voto dos palestinos da região ocupada de Jerusalém Oriental.

O Fatah, que governa os palestinos desde a primeira e única eleição parlamentar, em 1996, iniciou sua campanha no túmulo do líder palestino Yasser Arafat, morto em novembro de 2004.

O principal rival do Fatah, o Hamas, abriu sua campanha na casa do líder espiritual do grupo, Sheikh Ahmed Yassin, assassinado por forças israelenses.

O Hamas alertou Abbas e o Fatah de que são contra o adiamento das eleições.

Teste

Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Matthew Price, a eleição deve ser um teste para o Fatah, que tem uma imagem de corrupto e pouco eficiente entre grande parte dos palestinos.

O maior desafio ao Fatah deve vir do grupo extremista islâmico Hamas, com as pesquisas de opinião indicando que a agremiação pode alcançar até um terço dos votos.

A possibilidade de o Hamas conseguir uma fatia importante dos votos vem provocando receio entre as autoridades israelenses, que consideram o grupo como uma organização terrorista.

O Hamas lançou sua campanha nesta terça-feira na Faixa de Gaza, sua principal base de apoio. O evento de lançamento da campanha foi realizado na casa do líder espiritual do grupo, xeque Ahmed Yassin, morto em março de 2004 por um ataque israelense.

O Hamas diz que as eleições devem seguir como o planejado e que um adiamento não resolveria o problema.

Dezenas de observadores da União Européia já foram enviados às principais cidades palestinas para acompanhar a campanha e as eleições.