03 de janeiro, 2006 - 18h22 GMT (16h22 Brasília)
O Egito anunciou nesta terça-feira sua intenção de repatriar mais de 600 refugiados sudaneses nesta semana, menos de uma semana após pelo menos 20 pessoas terem morrido em um tumulto envolvendo os refugiados e a polícia na capital egípcia, Cairo.
"Eles foram considerados imigrantes ilegais ou violaram condições de segurança", disse Fatma el-Zahraa Etman, porta-voz do ministério das Relações Exteriores, explicando a decisão.
A expectativa é que as deportações aconteçam na quinta-feira.
A notícia surgiu depois do Alto Comissariado de Refugiados da ONU (Organização das Nações Unidas) ter recebido garantias do governo egípcio de que os sudaneses não seriam repatriados.
Mulheres e crianças
No tumulto da última sexta-feira, a polícia forçou a saída de refugiados sudaneses que estavam acampados em frente ao prédio da ONU no Cairo.
Cerca de três mil manifestantes estavam lá fazendo uma manifestação em que pediam que o Alto Comissariado fizesse a transferência deles para outro país que lhes oferecesse melhores condições.
As autoridades egípcias dizem que estavam tentando negociar um fim para o protesto e atribuem as mortes a um corre-corre dos manifestantes quando a polícia tentou forçar centenas deles a embarcar em ônibus que os tirariam de lá.
Alguns manifestantes, porém, dizem que apanharam da polícia e que foram agredidos com cassetetes e canhões de água.
O Alto Comissariado havia dito que não tinha condições de garantir que as exigências dos refugiados iriam ser atendidas.