02 de janeiro, 2006 - 12h47 GMT (10h47 Brasília)
A Rússia acusou a Ucrânia de desviar o equivalente a U$25 milhões em gás natural exportado para a União Européia.
Vários países europeus disseram que os suprimentos vindos de um gasoduto que atravessa a Ucrânia caíram até 40%.
A Ucrânia nega ter ficado com o gás, mas disse que desviaria uma parte se as temperaturas no país continuassem a cair.
A Rússia cortou o fornecimento de gás para a Ucrânia no domingo. Os dois países não conseguiram chegar a um acordo sobre um aumento nos preços do produto.
'Preocupação'
A União Européia e os Estados Unidos manifestaram preocupação com o caso.
O departamento de Estado americano disse que a decisão russa, de cortar o fornecimento de gás, levanta "sérias dúvidas sobre o uso da energia como forma de exercer pressão política".
Segundo agências de notícias, Alexander Medvedev, vice-diretor da Gazprom, estatal que detém o monopólio do gás russo, teria dito que a Ucrânia desviou 100 milhões cúbicos de gás nas primeiras 24 horas depois do corte no fornecimento.
A Rússia disse que não teve outra alternativa, depois que a Ucrânia se recusou a assinar um novo acordo aceitando o aumento imediato nos preços do gás de U$ 50 (cerca de R$ 120) para U$ 230 por mil metros cúbicos. O preço em média cobrado da União Européia é U$ 240.
A Rússia fornece 30% do gás consumido na Ucrânia, e atende a cerca de 25% da demanda da União Européia. Exportações para a União Européia e para a Ucrânia são feitas por meio dos mesmos gasodutos.
Hungria, Polônia e Áustria relataram queda em seus suprimentos de gás depois do corte. O Comissário de Energia do bloco, Andris Pielbags, disse que a crise está gerando preocupação.
A Gazprom, por sua vez, afirma que está enviando a quantidade suficiente de gás pela Ucrânia para atender seus compromissos com outros países.
O governo da Ucrânia insiste que o aumento no preço do gás tem motivações políticas, pois ocorre depois da chamada Revolução Laranja e a eleição do candidato pró-ocidente, Viktor Yushchenko.
Outros países que permanecem sob influência da Rússia continuam a receber gás a preços mais baixos que os praticados no mercado.
Yushchenko disse que a Ucrânia, atualmente, está preparada para pagar não mais do que US$ 80 por cada mil metros cúbicos de gás.
Ameaça
A Naftogaz, a estatal ucraniana do setor de gás, afirmou que a Rússia está ameaçando os suprimentos de gás da Europa.
"O gás não está fluindo por todas as rotas possíveis, o que pode levar a uma queda na pressão em todos os gasodutos e limitar o suprimento total de gás para a Ucrânia e a Europa", disse Eduard Zaniuk, porta-voz da Naftogaz.
A Ucrânia afirmou que tem direito de usar 15% dos suprimentos restantes nos gasodutos como pagamento pelo transporte do gás para a Europa Ocidental.
Na Hungria, a companhia de gás MOL afirmou que seus suprimentos procedentes da Rússia tinham caído 25%. O Ministério da Economia aconselhou os grandes consumidores a usarem fontes alternativas se possível.
O maior fornecedor de gás da Alemanha afirmou que o corte no fornecimento pode gerar problemas se a situação não for resolvida rapidamente. Polônia e Áustria já relataram queda em seus suprimentos.
Governos da União Européia estão organizando uma reunião de suas autoridades do setor de fornecimento de gás em Bruxelas, no dia 4 de janeiro, para discutir a crise.