01 de janeiro, 2006 - 07h43 GMT (05h43 Brasília)
A Rússia começou na manhã deste domingo a interromper o fluxo em um gasoduto que abastece a Ucrânia com gás, após o fracasso das negociações de última hora para resolver uma disputa sobre os preços do produto.
A interrupção no fornecimento foi anunciado pela empresa de gás russa Gazprom após a Ucrânia ter rejeitado o plano da Rússia de aumentar em até 460% o preço do produto.
No sábado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez uma proposta de congelar o preço do gás por mais três meses, antes do grande aumento.
Mas, depois de novas negociações, a estatal russa Gazprom informou que a oferta tinha sido rejeitada pelo governo da Ucrânia e o fornecimento iria ser cortado seguindo o plano anterior.
Preço de mercado
Atualmente o governo da Ucrânia paga US$ 50 (cerca de R$ 116) por cada mil metros cúbicos de gás. A Gazprom quer que o preço seja aumentado para o que afirma ser o preço de mercado, US$ 230 (cerca de R$ 536).
A Rússia é responsável por cerca de 30% do total de gás consumido na Ucrânia.
O corte do gás russo será um problema no momento para a Ucrânia, que enfrenta o inverno, segundo o correspondente de economia da BBC, Andrew Walker.
Autoridades do setor da indústria de gás ucraniana afirmam que o país pode conseguir gás com outros fornecedores, mas os clientes do setor industrial poderão ter que lidar com fornecimento reduzido, disse Walker.
A crise entre a Rússia e a Ucrânia também gerou o temor de que as exportações russas para a Europa Ocidental poderiam ser afetadas, já que a maior parte do gás passa por gasodutos na Ucrânia. O governo russo afirma que o suprimento do produto para o resto da Europa não será afetado.
Governos da União Européia estão organizando uma reunião de suas autoridades do setor de fornecimento de gás em Bruxelas, no dia 4 de janeiro, para discutir a crise.
Oferta
A oferta da Rússia, de congelar os preços do gás por três meses foi feita pelo presidente Vladimir Putin, durante uma reunião com seu Conselho de Segurança, da qual participou também o presidente da Gazprom, Alexei Miller.
O porta-voz do primeiro-ministro da Ucrânia Yuri Yekhanurov, disse que o governo do país não faz objeções aos preços de mercado para o gás mas "o preço exato precisa ser negociado".
Horas depois, um porta-voz da Gazprom anunciou que a Ucrânia recusou a oferta.
"A resposta oficial foi recebida: a Ucrânia recusou a oferta", disse Sergei Kupriyanov.
O governo da Ucrânia insiste que o aumento no preço do gás tem motivações políticas, pois ocorre depois da chamada Revolução Laranja e a eleição do candidato pró-ocidente, Viktor Yushchenko.
Outros países que permanecem sob influência da Rússia continuam a receber gás a preços mais baixos que os praticados no mercado.
Yushchenko disse que a Ucrânia, atualmente, está preparada para pagar não mais do que US$ 80 por cada mil metros cúbicos de gás.