31 de dezembro, 2005 - 21h11 GMT (19h11 Brasília)
Parlamentares sírios pediram neste sábado que um ex-vice-presidente do país que vive no exílio, seja processado por traição devido a alegações que fez contra o presidente Bashar Al-Assad, implicando o presidente num atentado no Líbano.
O ex-vice-presidente Abdul Halim Khaddam disse que Assad fez ameaças contra o ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri meses antes de ele morrer na explosão de uma bomba em Beirute, em fevereiro.
Hariri era um conhecido político contrário ao envolvimento da Síria no Líbano, e as ameaças seriam no sentido de fazê-lo aceitar a influência síria.
"Assad me disse que ele falou palavras muito, muito duras a Hariri... algo como 'eu vou esmagar qualquer um que tentar nos desobecer'", disse Khaddam em uma entrevista ao canal de TV árabe Al-Arabiya.
"Dignidade"
Um parlamentar sírio, Umeima Khudur, disse que o ex-vice-presidente "atacou a dignidade da Síria e humilhou milhões de sírios" com as afirmações.
Um inquérito da ONU incriminou a Síria pela morte de Hariri, dizendo que é improvável que o complexo plano para assassinar Hariri tivesse sido realizado sem a conivência das forças de segurança sírias.
O governo sírio, porém, nega qualquer envolvimento no atentado que matou o ex-premiê libanês.
A morte de Hariri levou a Síria a ser duramente criticada pela sua presença militar no Líbano e seu envolvimento na política do país, e Assad acabou tirando suas tropas do território libanês.