30 de dezembro, 2005 - 11h08 GMT (09h08 Brasília)
Irritados com a crescente ilegalidade na Faixa de Gaza, dezenas de policiais palestinos fecharam a fronteira com o Egito.
Os manifestantes, auxiliados por atiradores de uma facção do partido no poder, o Fatah, impediram veículos a chegar ao terminal, em Rafah.
Observadores europeus, que monitoram a operação palestina na fronteira a pedido de Israel retiraram-se para uma base militar israelense, onde aguardam o desfecho da situação.
De acordo com os policiais palestinos, o protesto está sendo realizado por causa da morte de um colega na quinta-feira num tiroteio entre duas famílias rivais.
A Autoridade Palestina recebeu o controle da fronteira com o Egito no mês passado, após um acordo mediado pelos Estados Unidos.
Pelos termos do pacto, observadores europeus precisam estar presentes para a passagem da fronteira poder funcionar.
Um porta-voz dos monitores da União Européia, Julio de la Guardia, afirmou que a polícia palestina sugeriu que eles se retirassem e, portanto, a equipe se transferiu temporariamente para a fronteira controlada por Israel, em Kerem Shalom.
"A passagem está fechada porque os monitores saíram do local", disse o porta-voz à agência de notícias Reuters.
Os monitores devem retornar assim que houver segurança para isso.
Escalada da violência
De acordo com o correspondente da BBC Alan Johnston, o protesto nos portões não era direcionado aos monitores europeus; ele estaria ligado a tensões internas.
O fechamento da fronteira nestas circunstâncias é apenas mais um exemplo do quão caótica está a situação da segurança em Gaza, diz o correspondente.
Desde que Israel se retirou da Faixa de Gaza em setembro, após 37 anos de ocupação militar, foi registrada uma série de seqüestros, ocupações armadas de prédios governamentais e tiroteios na região.
Na quarta-feira, a voluntária britânica Kate Burton foi seqüestrada juntamente com os pais, que a visitavam.
Os três estavam dentro de um carro, a 200 metros da passagem de Rafah, quando foram abordados por sete atiradores.
Outros ocidentais que foram vítimas de seqüestro nas últimas semanas foram liberados, porém, mais de um dia e meio após o crime, as autoridades começam a ficar preocupadas.
Autoridades palestinas não sabem se a família foi contatada pelos seqüestradores.
Manifestações pedindo a libertação dos três foram realizadas em Gaza.