30 de dezembro, 2005 - 14h53 GMT (12h53 Brasília)
Dezenas de policiais palestinos invadiram um posto de passagem na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito, provocando o fechamento do local por várias horas.
Os manifestantes, auxiliados por atiradores de uma facção do partido no poder, o Fatah, impediram veículos a chegar ao terminal, em Rafah.
Observadores europeus, que monitoram a operação palestina na fronteira a pedido de Israel tiveram de se retirar para uma base militar israelense e só retornaram depois de algumas horas para reabrir o terminal.
Acredita-se que os policiais protestavam contra a crescente ilegalidade na Faixa de Gaza.
A Autoridade Palestina recebeu o controle da fronteira com o Egito no mês passado, após um acordo mediado pelos Estados Unidos.
Pelos termos do pacto, observadores europeus precisam estar presentes para a passagem da fronteira poder funcionar.
Um porta-voz dos monitores da União Européia, Julio de la Guardia, afirmou que a polícia palestina sugeriu que eles se retirassem e, portanto, a equipe se transferiu temporariamente para a fronteira controlada por Israel, em Kerem Shalom.
Escalada da violência
De acordo com o correspondente da BBC Alan Johnston, o protesto nos portões não era direcionado aos monitores europeus; ele estaria ligado a tensões internas.
O fechamento da fronteira nestas circunstâncias é apenas mais um exemplo do quão caótica está a situação da segurança em Gaza, diz o correspondente.
Desde que Israel se retirou da Faixa de Gaza em setembro, após 37 anos de ocupação militar, foi registrada uma série de seqüestros, ocupações armadas de prédios governamentais e tiroteios na região.
Na quinta-feira, um policial e outro homem foram mortos num briga entre duas famílias rivais, que começou depois de um homem ser preso.
Na quarta-feira, a voluntária britânica Kate Burton foi seqüestrada juntamente com os pais, que a visitavam.
Os três estavam dentro de um carro, a 200 metros da passagem de Rafah, quando foram abordados por sete atiradores.
Outros ocidentais que foram vítimas de seqüestro nas últimas semanas foram liberados, porém, mais de um dia e meio após o crime, as autoridades começam a ficar preocupadas.
Autoridades palestinas não sabem se a família foi contatada pelos seqüestradores.
Manifestações pedindo a libertação dos três foram realizadas em Gaza.