26 de dezembro, 2005 - 00h03 GMT (22h03 Brasília)
Os Estados Unidos não vão passar detidos para a custódia das autoridades do Iraque até que melhorem as condições carcerárias, disse John Gardner, responsável pelas prisões militares americanas no país.
"Nós não vamos passar instalações ou prisioneiros até que eles atinjam os padrões que definimos e que estamos empregando hoje", afirmou Gardner. Recentemente foram descobertos centenas de prisioneiros negligenciados mantidos pelo Ministério do Interior do Iraque.
Os Estados Unidos tiveram "um grande avanço" desde o escândalo de Abu Ghraib, disse o militar americano em uma entrevista ao jornal New York Times.
"Abu Ghraib foi um crime e eu fiquei horrorizado", afirmou Gardner. A prisão, em Bagdá, ganhou as manchetes dos jornais em todo o mundo depois que fotos revelaram que detidos iraquianos sofriam abusos e humilhação nas mãos de guardas americanos.
"Prisões lotadas"
As forças armadas americanas admitiram que a maioria das prisões que administram no Iraque estão superlotadas e que o seu objetivo de devolver o controle das instalações e passar a custódia de detentos para as autoridades locais no ano que vem pode ser adiado, diz o jornal.
"Um cronograma específico para fazer isso é difícil de programar nesta altura, com tantas variáveis", disse o porta-voz militar americano, Barry Johnson.
Os Estados Unidos afirmam que têm mais de 14 mil prisioneiros sob custódia. Em janeiro, este número estava em torno de 8 mil.
Cerca de 3 mil dos detidos ainda não compareceram diante de um tribunal.
O embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, disse neste mês que constatou-se que pelo menos 120 prisioneiros sofreram abusos em dois centros de detenção administrados pelo Ministério do Interior do Iraque.
Os supostos abusos descobertos por soldados americanos e iraquianos incluiam choques elétricos e a remoção de unhas.
Grupos sunitas no Iraque alegaram que tortura é comum em prisões administradas por xiitas.