22 de dezembro, 2005 - 16h46 GMT (14h46 Brasília)
O promotor que preparou o caso contra Saddam Hussein disse nesta quinta-feira que “não há evidências” de que ele sofreu tortura na prisão.
Segundo Raid Juhi, nem o ex-presidente nem seus advogados fizeram qualquer reclamação sobre tortura antes das declarações de Saddam na corte.
Além disso, o promotor afirmou que ninguém da equipe de investigação ou da prisão viu qualquer marca de espancamento no ex-líder, como ele alegou. Saddam afirmou que as marcas de espancamento foram documentadas por pelo menos duas “equipes americanas”.
“Os acusados receberam um cuidado médico completo e cuidadoso por parte das autoridades na detenção. Nenhum iraquiano comum recebe esse tipo de tratamento”, afirmou Juhi.
Suspenso
Após ouvir três testemunhas e novas declarações dos acusados, o julgamento foi novamente suspenso e deverá ser retomado apenas no dia 24.
Nesta quinta-feira, Saddam Hussein disse que o governo dos Estados Unidos “mente” ao negar as alegações de que ele sofreu torturas nas mãos de forças americanas.
Saddam fez as primeiras alegações sobre tortura na quarta-feira, quando foi retomado o seu julgamento na capital iraquiana, Bagdá.
Ao voltar ao assunto nesta quinta, ele afirmou que não se deve acreditar nos Estados Unidos e usou como argumento o fato de nunca terem sido comprovadas as alegações americanas de antes da guerra no Iraque de que o país possuía armas de destruição em massa. Nenhuma foi encontrada até hoje.
"Nós não mentimos. É a Casa Branca que mente", afirmou Saddam no tribunal.
Na quarta-feira Saddam disse que foi golpeado em todas as partes de seu corpo e que os maus-tratos o deixaram com marcas.
Christopher Reid, diplomata da embaixada americana em Bagdá, rebateu as acusações de Saddam Hussein, afirmando à rede de TV CNN que elas são "totalmente falsas".
A sessão desta quinta-feira foi a sétima desde que o julgamento do ex-presidente e de outros sete réus começou. O tribunal volta a ouvir testemunhas de acusação.
Os réus são responsabilizados pelo massacre de 148 muçulmanos xiitas no vilarejo de Dujail, em 1982.
Protestos
O julgamento de Saddam Hussein tem sido marcado por protestos contra sua legitimidade, e interrupções freqüentes para argumentação jurídica.
Até agora Saddam Hussein tem mantido uma atitude de desafio, recusando-se a admitir que ele não é mais presidente do Iraque.
Ramsey Clark, um ex-procurador-geral americano que integra a defesa do ex-líder iraquiano, não voltou para Bagdá para esta sessão por causa de temores relacionados à segurança.
Na terça-feira, o advogado da defesa e ex-ministro da Justiça do Catar Najib Al-Nuami disse que foi ameaçado por multidões quando chegava na capital iraquiana.
Dois advogados da defesa foram mortos.