22 de dezembro, 2005 - 06h11 GMT (04h11 Brasília)
O ministro das Relações Exteriores do México, Luis Ernesto Derbez, disse que está tentando formar uma frente latino-americana para impedir que um polêmico pacote de leis de imigração dos Estados Unidos entre em vigor.
Uma das medidas mais polêmicas do pacote é a extensão do muro entre os dois países para evitar a entrada de imigrantes ilegais em território americano.
A proposta, aprovada na semana passada na Câmara dos Representantes, recomenda ainda criminalizar imigrantes ilegais, penalizar as pessoas que os empregam e estender o muro ao longo da fronteira entre Estados Unidos e México por mais 1,6 mil quilômetros.
Segundo o chanceler, as medidas, que deverão ser discutidas pelo Senado americano em fevereiro, afetariam não só mexicanos, como imigrantes de outros países, incluindo do Brasil.
A Guatemala e a Venezuela já condenaram os planos americanos.
Derbez já havia se referido à proposta como "uma idéia estúpida" e o próprio presidente Vicente Fox a chamou de "vergonhosa".
Além de organizar uma campanha internacional contra o projeto, o governo mexicano contratou uma empresa de relações públicas para fazer lobby dentro dos Estados Unidos.
Estima-se que metade dos oito milhões de mexicanos que vivem nos Estados Unidos esteja ilegalmente no país.
Para a organização Anistia Internacional, a extensão do muro seria um retrocesso em direitos humanos.
Dentro dos Estados Unidos, a proposta também atraiu críticas, com o jornal The New York Times chamando-a de "xenófoba" e de "míope" em um editorial.
No México, observadores como a analista política Anna Maria Salazar dizem que a polêmica vai forçar os candidatos presidenciais a incluir o tema em suas campanhas.
"Se alguma coisa boa sair disso, será que vai forçar os candidatos presidenciais a propor uma plataforma que não prometa um acordo de imigração com os Estados Unidos", diz Salazar.
A correspondente da BBC na Cidade do México, Claire Marshall, diz que para Fox, toda a discussão é um enorme constrangimento. Afinal, ele chegou ao poder cinco anos atrás prometendo um acordo de imigração como parte de um relacionamento mais próximo com o vizinho do norte.
Ao invés disso, ele está prestes a terminar o seu mandato com uma barreira ainda maior entre os dois países.