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21 de dezembro, 2005 - 08h49 GMT (06h49 Brasília)

Saddam Hussein volta ao banco dos réus em Bagdá

O julgamento do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, recomeçou nesta quarta-feira na capital iraquiana, Bagdá, duas semanas depois que ele se recusou a comparecer a uma sessão para responder a acusações relativas a crimes de guerra.

Saddam Hussein, que compareceu à corte, e outros sete réus são responsabilizados pelo massacre de 148 muçulmanos xiitas no vilarejo de Dujail, em 1982.

O tribunal deve ouvir nesta quarta-feira cinco novas testemunhas de acusação, mas nem todas devem dar depoimento de forma convencional. Durante o julgamento, uma testemunha falou por meio de uma gravação e outra, temendo represálias, falou escondida atrás de uma cortina.

Esta será a primeira sessão do julgamento do ex-líder desde que milhões de iraquianos votaram em eleições parlamentares.

Protestos

O julgamento de Saddam Hussein tem sido marcado por protestos contra sua legitimidade, e interrupções freqüentes para argumentação jurídica.

Até agora Saddam Hussein tem mantido uma atitude de desafio, recusando-se a admitir que ele não é mais presidente do Iraque e exigindo um tratamento melhor nas mãos das forças americanas.

O julgamento é retomado nesta quarta-feira em meio a preocupações da equipe de defesa de Saddam com segurança.

Ramsey Clark, um ex-procurador-geral americano e que integra a defesa do ex-líder iraquiano, não voltou para Bagdá para está sessão por causa destes temores.

Na terça-feira, o advogado da defesa e ex-ministro da Justiça do Catar Najib Al-Nuami disse que foi ameaçado por multidões quando chegava na capital iraquiana.

Dois advogados da defesa foram mortos pouco depois do início do julgamento.

Saddam Hussein e os outros sete réus negam as acusações contra eles. O presidente deposto do Iraque deverá enfrentar mais acusações ligadas a seu regime no país.