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20 de dezembro, 2005 - 19h47 GMT (17h47 Brasília)

Tribunal da Sérvia vê vídeo de mortes em Srebrenica

Um vídeo com imagens do assassinato de muçulmanos por paramilitares sérvios durante o massacre de Srebrenica, na Guerra da Bósnia (1992-95), foi exibido nesta terça-feira como prova durante o julgamento de um comandante da polícia sérvia na época, Slobodan Medic.

Ele liderava uma unidade policial apelidada de Escorpiões e é acusado pela morte a tiros de seis muçulmanos. Outros quatro soldados sérvios são acusados no mesmo julgamento.

As imagens foram registradas pelos próprios paramilitares sérvios. O filme, de 20 minutos de duração, mostra vários integrantes dos Escorpiões ordenando seis presos, vestidos em trajes civis, descer de um caminhão. Eles foram levados a uma floresta e mortos a tiros um por um.

Medic se diz inocente, alegando que não estava presente no momento e nem deu ordens para os disparos. Ele afirmou no tribunal de Belgrado, porém, que não tinha como controlar soldados que queriam se vingar após terem familiares mortos por muçulmanos.

'Como coelho'

Após a corte ter visto as imagens chocantes, Medic disse que, se pudesse prever as consequências, teria "matado como um coelho" o soldado que filmou os assassinatos.

O ex-comandante contou que, à época, o vídeo parecia "irrelevante". "Agora ele pode custar minha liberdade", completou.

As imagens – que fizeram parte originalmente do processo contra o ex-presidente Slobodan Milosevic, em Haia – chocaram a população sérvia quando foram exibidas na TV em junho. Elas acabaram levando à prisão dos suspeitos de participação no crime.

Este é o primeiro julgamento na Sérvia sobre o massacre de cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos na região de Srebrenica, na Bósnia.

O episódio é considerado a pior atrocidade na Europa desde o final da Segunda Guerra, em 1945.

Srebrenica era uma cidade muçulmana protegida pela ONU. Quase no final da guerra da Bósnia, em 1995, os sérvios que cercavam a área invadiram, separaram os homens das mulheres, e mataram toda a população masculina capturada.

Familiares das vítimas estavam presentes no tribunal em Belgrado. Um vidro à prova de balas os separavam dos acusados, cujos parentes também foram à corte na capital da antiga Iugoslávia.

Os cinco suspeitos das mortes exibidas no vídeo são acusados de crimes contra a humanidade e violações dos costumes de guerra. Se condenados, podem pegar até 40 anos de prisão.