19 de dezembro, 2005 - 21h06 GMT (19h06 Brasília)
Evo Morales, que deve se tornar o novo presidente da Bolívia, disse em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira que vai anular os direitos de propriedade das petroleiras sobre o gás natural na boca do poço.
Ele insistiu, porém, que seu plano "não significa expropriar e nem confiscar os bens das transnacionais".
"Os direitos à propriedade no poço acabaram. Isso está acabado. Precisamos de sócios e não de proprietário", disse Morales em uma entrevista Cochabamba.
"Se quisermos iniciar a questão de exploração ou prospecção, precisamos de tecnologia. Vamos pagar por esses serviços dessas transnacionais, mas fundamentalmente nosso governo estará focado em como industrializar seus recursos naturais", acrescentou.
A Petrobras e a espanhola Repsol-YPF são as duas principais petroleiras que operam na Bolívia.
'Sócios'
"Precisamos de sócios, mas não de patrões. Se eles se submetem às normas bolivianas, bem-vindos como sócios", disse.
Segundo pesquisas de boca-de-urna Morales recebeu mais de 51% dos votos.
As indicações de vitória de Morales já tiveram impacto sobre as ações da Repsol, que caíram na Bolsa de Madri.
Durante a campanha, ele prometeu anular mais de 70 contratos de exploração outorgados a petroleiras para que eles sejam redefinidos.