17 de dezembro, 2005 - 01h45 GMT (23h45 Brasília)
O Marrocos se tornou o primeiro país árabe a publicar um relatório sobre abuso de direitos humanos ao divulgar os resultados de um inquérito sobre as irregularidades cometidas durante as quatro décadas do reinado do rei Hassan 2º.
A investigação de dois anos da Comissão para Justiça e Reconciliação (CJR) afirma que, entre 1956 e 1999, 592 foram mortas.
O rei, pai do atual monarca Mohammed 4º, foi acusado de reprimir ativistas de oposição.
Milhares de vítimas e seus familiares puderam falar abertamente aos investigadores.
A CJR recomendou o pagamento de compensação financeira a 9.280 pessoas.
Críticas
A investigação afirma que 322 pessoas foram mortas por tropas do governo durante protestos e 174 morreram enquanto detidas irregularmente.
O responsável pela pesquisa, Driss Benzekri, havia declarado no mês passado esperar que o relatório "contribuísse significativamente para a história do país e para a construção de um Estado justo".
A investigação recebeu, entretanto, críticas de grupos de direitos humanos. Eles dizem que uma das falhas foi o documento não ter apontado os responsáveis pelo abuso.
A Associação Marroquina de Direitos Humanos diz que alguns deles fazem, inclusive, parte do atual governo.
Um porta-voz da organização também questionou os números apresentados, dizendo que elas estariam "longe da realidade".
"Segundo nossos dados, 1.500 pessoas foram mortas em protestos em 21 de março de 1965 e entre 500 e mil morreram nos protestos de 1981", disse Abdullah Abdeslam.