06 de dezembro, 2005 - 22h57 GMT (20h57 Brasília)
Observadores da União Européia e da OEA (Organização dos Estados Americanos) divergiram sobre a lisura das eleições parlamentares do último domingo na Venezuela.
Em um informe preliminar divulgado nesta terça-feira, a equipe de observadores europeus avalia que os resultados das máquinas de votação "são confiáveis" e que foram detectadas "poucas inconsistências".
A OEA, por outro lado, fez críticas ao processo eleitoral e ressaltou certos aspectos que "contribuíram para criar incertezas e suspeitas".
Os dois grupos de observadores, no entanto, concordam que a maioria dos venezuelanos desconfiam do resultado das eleições devido à extrema polarização política no país, e quanto à necessidade de substituir os membros do Conselho Nacional Eleitoral.
José Albino Silva, o chefe da missão européia, afirmou que "não temos nenhum lugar que nos permita afirmar que não houve transparência".
Mas a OEA questionou a extensão do horário eleitoral e algumas declarações de altos funcionários governamentais que, segundo os observadores, buscaram impulsionar a participação dos funcionários públicos.
Eles também questionaram a falta de informação de muitos eleitores sobre como votar.
Surpreendido pela retirada da oposição
Apenas 25% dos 14 milhões de eleitores registrados para votar compareceram às urnas e, embora os resultados oficiais ainda não tenham sido divulgados, o partido do governo e seus aliados reivindicaram vitória na disputa pelas 167 cadeiras na Assembléia Legislativa.
As eleições foram realizadas com o boicote de cinco partidos da oposição, entre eles a Ação Democrática, o maior de todos os agrupamentos políticos contrários ao governo do presidente Hugo Chávez.
A oposição justificou o boicote alegando desconfiança no Poder Eleitoral e falta de transparência no processo.
Depois das eleições, porta-vozes da oposição disseram estar considerando recorrer à Justiça para pedir a anulação da votação e convocar um novo pleito.
O chefe da missão de observadores europeus, no entanto, afirmou que "as medidas de segurança e transparência estão de acordo com as mais avançadas práticas internacionais".
O Poder Eleitoral "demonstrou vontade decidida de satisfazer as demandas da oposição e de restabelecer a confiança no processo", disse Silva, que se declarou "surpreendido" pela retirada na última hora dos partidos da oposição.