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06 de dezembro, 2005 - 11h16 GMT (09h16 Brasília)

Julgamento de Saddam tem 1ª testemunha anônima

O julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein foi retomado nesta terça-feira com os depoimentos das primeiras testemunhas anônimas do massacre de 1982 na vila de Dujail, pelo qual ele é acusado.

Nenhuma das testemunhas deve ter sua imagem divulgada, mas algumas delas poderão ser vistas pelas pessoas presentes no tribunal.

A primeira testemunha a depor foi uma mulher que apareceu atrás de uma tela para proteger sua identidade. Mas problemas com o equipamento utilizado para distorcer sua voz levaram à interrupção do depoimento.

Quando os problemas apareceram, as pessoas presentes no tribunal puderam ouvir por alguns instantes a voz da mulher sem a distorção.

Antes do intervalo, ela contou como seu irmão e outros membros da família haviam sido levados por forças de segurança.

Saddam Hussein e sete antigos membros de seu regime são acusados da morte de 148 muçulmanos xiitas em Dujail em 1982, após uma tentativa de assassinato contra o ex-presidente.

Os oito acusados negam as acusações. Se forem condenados, eles estarão sujeitos à pena de morte.

Proteção contra represálias

Identificada como “testemunha A”, a mulher é a primeira de uma série de testemunhas que concordaram em prestar depoimentos somente sob a condição de anonimato, para protegê-las contra possíveis represálias de simpatizantes de Saddam Hussein.

As duas primeiras testemunhas a depor no processo, na segunda-feira, o fizeram abertamente.

Durante uma sessão tumultuada, Saddam interrompeu uma das testemunhas, Ahmed Hassan Mohammed, quando ele descrevia a tortura e a morte de homens, mulheres e crianças.

O ex-presidente também discutiu com o juiz, exigindo a oportunidade de explicar seu descontentamento com o processo.

Anteriormente, o julgamento havia sido suspenso por mais de uma hora, após advogados de defesa deixarem o tribunal questionando sua legitimidade e exigindo mais segurança.

Dois advogados de defesa foram assassinados nas últimas semanas.

Um dos advogados, o ex-procurador-geral dos Estados Unidos Ramsey Clark, disse que a menos que o julgamento seja visto como “absolutamente justo”, ele “dividirá o Iraque ao invés de reconciliar o país”.