05 de dezembro, 2005 - 05h01 GMT (03h01 Brasília)
O ex-primeiro-ministro iraquiano Iyad Allawi afirma que escapou na manhã de domingo de uma confrontação com homens armados durante uma visita a uma importante mesquita xiita na cidade de Najaf, ao sul do Iraque.
Allawi, cujo governo provisório teve o apoio dos Estados Unidos, disse que seu grupo foi abordado por cerca de 60 homens armados com pistolas, facas e espadas quando se dirigia ao santuário do Imã Ali.
A polícia havia afirmado mais cedo que uma multidão que estava no local atirou pedras e sapatos contra Allawi. Os seguranças dispararam para o alto em resposta.
O ex-primeiro-ministro, um xiita secularizado, está enfrentando o bloco islâmico xiita atualmente no governo nas eleições parlamentares da próxima semana.
Imagens de televisão feitas no local mostraram o grupo de Allawi fugindo da mesquita enquanto sapatos eram atirados contra o grupo. Atirar sapatos é visto como um insulto grave na cultura árabe.
Segundo correspondentes, o confronto é visto como outro sinal das profundas divisões no Iraque.
Segundo Caroline Hawley, correspondente da BBC em Bagdá, Allawi está tentando mostrar uma imagem de unificador dos muçulmanos xiitas e sunitas, mas tem inimigos políticos dentro de sua própria comunidade.
Campanha
Allawi estava em Najaf, considerada a cidade mais sagrada dos xiitas, em campanha.
Ele afirmou que cerca de 60 pessoas, algumas com armas e outras com facas, se aproximaram de seu grupo enquanto eles rezavam no templo do Imã Ali.
"Eles planejavam matar toda a delegação ou, pelo menos, me matar", disse Allawi a jornalistas quando voltou a Bagdá.
"Um deles empunhou uma arma, mas entrou em pânico e a pistola caiu de sua mão", acrescentou Allawi.
O ex-premiê iraquiano, que tinha o apoio dos americanos, sobreviveu várias tentativas de assassinato.
Allawi era o primeiro-ministro interino quando soldados americanos tomaram o controle de Najaf dos seguidores do clérigo extremista xiita Moqtada al Sadr, em 2004. Os americanos entregaram o controle militar da cidade para as forças iraquianas em setembro.
Allawi deixou o poder em abril, depois que as eleições ocorridas em janeiro deram a maioria para a Aliança Unida Iraquiania, um partido xiita.