04 de dezembro, 2005 - 02h31 GMT (00h31 Brasília)
Vários grupos muçulmanos sunitas divulgaram uma declaração no sábado condenando o seqüestro de quatro cidadãos ocidentais mantidos como reféns no Iraque, pedindo a libertação dos quatro.
"O seqüestro terá um efeito negativo grave entre aqueles que pedem o fim da ocupação", segundo a declaração.
Um dos principais partidos políticos sunitas iraquianos, o Partido Islâmico do Iraque, afirmou que tais seqüestros mancham a imagem do Islã.
O partido citou o caso de quatro ocidentais que foram seqüestrados em Bagdá há mais de uma semana.
A medida, tomada por cerca de cinco grupos, ocorreu depois de uma reunião com o enviado Anas Altikriti, que chegou neste sábado a Bagdá enviado pela Associação Britânica Muçulmana e o movimento pacifista Stop de War (Pare a Guerra).
Os seqüestradores, de um grupo que se auto-intitula Brigada das Espadas da Verdade, disseram, em uma gravação divulgada pelo canal de televisão Al Jazeera, que matarão os reféns se todos os prisioneiros iraquianos não forem soltos até a quinta-feira.
Negociação
O Partido Islâmico do Iraque afirmou na declaração que "continuar a mantê-los (os reféns) dará aos que apóiam a guerra contra nosso país a chance de afirmar que os iraquianos não vêem diferença entre aqueles que os apóiam e aqueles que estão contra eles".
O líder muçulmano, Anas Altikriti, trabalha com o argumento de que os seqüestrados estavam em uma missão para ajudar o Iraque. Os quatro reféns pertencem à organização internacional Equipes Pacificadoras Cristãs e, entre eles, está um cidadão britânico.
Em uma entrevista à BBC, Altikriti admitiu que sua missão no Iraque não será fácil.
"Penso em outros reféns, Keneth Bigley, Margaret Hassan, e temo o que pode acontecer", disse o negociador lembrando dois reféns ocidentais que foram encontrados mortos.
"Mas também lembro dos dois voluntários franceses, os jornalistas italianos, os romenos e penso: 'sim, pode acontecer'", acrescentou Altikriti citando reféns que foram libertados.