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01 de dezembro, 2005 - 16h41 GMT (14h41 Brasília)

Opositor morre em choque com polícia no Egito

Um egípcio partidário de um político de oposição foi morto a tiros em choques com a polícia em uma sessão eleitoral no norte do Cairo, segundo a Organização Egípcia para Direitos Humanos.

Há relatos de que policiais da tropa de choque do Egito impediram a entrada de eleitores em sessões eleitorais em áreas em que a oposição e a Irmandade Muçulmana são mais fortes.

A violência se segue à prisão de centenas de islâmicos de oposição.

O porta-voz dos juízes encarregados de supervisionar as eleições, Mahmoud Al-Houderi, ameaçou retirar os juízes se o governo impedir as pessoas de votar.

O porta-voz do Ministério do Interior, general Ibrahim Hamad, disse que uma grande presença das forças de segurança era necessária para impedir problemas nas sessões eleitorais e que os eleitores são bem-vindos.

Irmandade

Os Estados Unidos pediram ao Egito que assegure a votação livre.

A Anistia Internacional também manifestou sua preocupação com violência, intimidação e prisões em massa em eleições anteriores.

A Irmandade Muçulmana, banida de disputar as eleições, disse que mais de 500 de seus membros foram presos nos últimos dois dias e que as prisões continuam nesta quinta-feira.

Mesmo assim, a Irmandade já aumentou em cinco vezes sua representação no Parlamento nos dois turnos anteriores das eleições – as eleições parlamentares ocorrem em etapas.

A Irmandade está apresentando candidatos como independentes e, até agora, garantiu 76 cadeiras.

Mais de 10 milhões de egípcios estão qualificados para votar neste terceiro e último turno das eleições. Estão sendo disputadas 136 das 454 cadeiras do Parlamento.

Intimidação

Observadores disseram que a etapa anterior de eleições, no dia 20 de novembro, foi prejudicada pela violência entre grupos políticos rivais, por tentativas de intimidação de eleitores e por fraudes.

O governo recebeu críticas de supervisores eleitorais por não ter agido de forma eficaz para conter a intimidação. Eles também questionaram o resultado dessa segunda etapa.

Um porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse que é importante que o governo do Egito garanta que as pessoas possam votar sem medo de violência.

Por sua vez, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional manifestou "preocupação com as prisões em massa de simpatizantes e ativistas da oposição" e condenou o governo por aparentemente "fracassar na tentativa de garantir que os eleitores estejam livres da violência, das prisões arbitrárias e da intimidação".