29 de novembro, 2005 - 17h47 GMT (15h47 Brasília)
O resultado de uma investigação parlamentar sobre a tragédia de Beslan, no ano passado, concluiu nesta terça-feira que as forças de segurança russas têm parte da responsabilidade pelo desfecho do caso, com a morte de 331 pessoas – 186 delas crianças.
As mortes ocorreram após a tomada de uma escola em Beslan, na República russa da Ossétia do Norte, por um grupo de militantes armados pró-independência da Chechênia.
O relatório preparado pela comissão formada no Parlamento da Ossétia do Norte diz que a tomada da escola pelos militantes foi possível por “falhas dos organismos de proteção da lei”.
Muitos parentes das vítimas consideram as mortes resultado das falhas na operação de resgate, durante a qual a escola foi tomada pelo fogo.
Falhas
O chefe da comissão, Stanislav Kesayev, disse ter identificado “falhas” incluindo o “fato de que um grande número de pessoas armadas ter tido acesso a um grande pólo ferroviário e aéreo como Beslan sem terem sido notadas”.
A comissão diz que o relatório deve levar a “conseqüências organizacionais”.
Citado pela agência de notícias russa Interfax, o relatório concluiu que foram usados lançadores de granadas, lançadores de chamas e tiros de tanques durante a tomada da escola pelas forças de segurança.
Mas não está claro ainda se os investigadores acreditam que as crianças ainda estivessem no local nesse momento, segundo a correspondente da BBC Emma Simpson.
Lançadores de chamas
Anteriormente, o procurador-geral da Rússia admitira que tais equipamentos haviam sido utilizados, mas apenas após as crianças terem deixado a escola.
Por várias semanas após o cerco à escola membros do governo russo haviam negado o uso de lança-chamas.
Alguns dos pais de alunos dizem que os lança-chamas foram usados enquanto os reféns ainda estavam na escola.
O relatório divulgado nesta terça-feira diz que vários membros das forças de segurança envolvidos no episódio haviam dado informações contraditórias sobre suas ações.
Segundo Kesayev, oito parlamentares que testemunharam o cerco à escola fizeram parte da comissão.
Uma outra equipe de investigadores chefiada pelo vice-procurador-geral, Nikolai Shepel, estabeleceu um prazo até 1º de março para divulgar suas conclusões.