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27 de novembro, 2005 - 20h04 GMT (18h04 Brasília)

Europeus pedem retomada de diálogo com o Irã

Grã-Bretanha, França e Alemanha escreveram uma carta para o governo iraniano, propondo um novo encontro para discutir o programa nuclear do país.

O responsável pela área de política externa da União Européia, Javier Solana, disse que os europeus sugeriram fazer essa "reunião exploratória" para analisar possíveis caminhos que restaurem as negociações multilaterais.

Mas nenhuma data foi anunciada até o momento.

Autoridades de Teerã disseram saudar qualquer diálogo construtivo.

Mas Hamid Reza Asefi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que qualquer discussão teria que incluir garantias concretas de que o país pode continuar com seu programa de enriquecimento de urânio.

Desafiador

No sábado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez um discurso desafiador, reiterando o direito de seu país desenvolver tecnologia nuclear e criticando países ocidentais por supostas violações de direitos humanos.

Ahmadinejad fez o discurso para um grupo de voluntários da milícia iraniana Basij, dias depois da mais recente demonstração de preocupação da comunidade internacional em relação ao programa nuclear do país.

As observações também foram feitas em meio à condenação, por parte da União Européia, do comportamento do Irã na área de direitos humanos.

O presidente iraniano disse que países que possuem, testam e desenvolvem armas nucleares que ameaçam outros países não têm o direito de exigir que o Irã desista de seu programa nuclear.

Segundo Ahmedinejad, o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos.

Ele afirmou que países que mataram pessoas inocentes em guerras destrutivas e que estão acabando com os recursos naturais dos oprimidos não podem falar em direitos humanos.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se reuniu nesta semana em Viena, na Áustria, para discutir as mais recentes revelações a respeito do programa nuclear do Irã.

Os europeus e os Estados Unidos esperam que o governo iraniano leve em consideração uma proposta de transferir o enriquecimento de urânio – parte considerada mais delicada do processo – para a Rússia.

Os americanos acusam o Irã de tentar desenvolver uma bomba nuclear, o que é refutado pelo país islâmico.