27 de novembro, 2005 - 17h44 GMT (15h44 Brasília)
O principal grupo de oposição ao governo do Egito – Irmandade Islâmica – disse ter conquistado mais cadeiras nas eleições parlamentares realizadas no sábado.
O grupo disse que ganhou mais 29 cadeiras no Parlamento do país. Porém, os resultados oficiais ainda não foram divulgados.
Se o sucesso da Irmandade Islâmica for confirmado, significa que o grupo quintuplicou sua representatividade na Casa.
O Partido Nacional Democrata, do presidente Husni Mubarak, deve manter sua maioria, mas o resultado desse pleito mostra que a sigla está perdendo popularidade, segundo um correspondente da BBC no Cairo.
Prisões
A votação deste sábado ocorreu em algumas partes do país onde nenhum candidato ganhou a maioria dos votos no segundo turno, realizado no domingo passado.
A última fase das eleições está marcada para o mês que vem.
O pleito deste fim de semana foi marcado por relatos de violência, prisões em massa e bloqueio de pontos de votação.
O Irmandade Islâmica disse que mais de 1,2 mil de seus membros foram presos.
Observadores eleitorais disseram ter visto gangues atacarem eleitores com facas e pedaços de pau.
Segundo eles, a polícia bloqueou o acesso a pontos de votação em áreas de grande apoio ao Irmandade Islâmica.
"Os eleitores são barrados à força de entrar em alguns pontos de votação e muitos pontos estão vazios", descreveu o ativista de direitos humanos e monitor eleitoral Negad el-Borai.
Um porta-voz do Ministério do Interior do país negou que tenham ocorrido casos de violência e disse que a votação ocorreu normalmente.
A Irmandade Islâmica é um grupo religioso com mais de 70 anos e é considerado uma das principais forças de oposição no Egito.
O grupo não pode se organizar como um partido político, mas seus candidatos são registrados como independentes.
Eles venceram 47 das 186 cadeiras do Parlamento nos primeiros dois turnos das eleições.