24 de novembro, 2005 - 20h24 GMT (18h24 Brasília)
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, finalmente definiu o nome de seu novo partido, que se chamará Kadima (palavra hebraica para algo como "Avante"), depois de rejeitar os nomes "Responsabilidade Nacional" e Hatikva ("Esperança").
O grupo, cujo anúncio na segunda-feira redesenhou a paisagem política de Israel, deve realizar seu primeiro encontro na próxima quinta-feira.
Ao menos 14 parlamentares do Likud, o partido anterior de Sharon, juntaram-se à nova agremiação partidária, que ficará ao centro do espectro político do país.
Até um ministro do Partido Trabalhista, Haim Ramon, ingressou no Kadima. É a primeira vez que um alto representante do partido de centro-esquerda une-se a Sharon em um mesmo grupo partidário.
Nesta quarta-feira, o presidente de Israel, Moshe Katsav, autorizou a realização das próximas eleições israelenses em 28 de março de 2006 e a dissolução do Parlamento.
As eleições deveriam ocorrer em novembro, mas com a saída do premiê Ariel Sharon de seu partido, o Likud, e a subseqüente fragmentação da aliança supra-partidária que lhe dava sustentação política, o pleito teve de ser adiado.
Ele ficará no comando do Parlamento israelense até as novas eleições.
Diferenças
Pesquisas eleitorais indicam que o novo partido de Sharon ganharia o maior número de cadeiras no Parlamento, permitindo a ele prosseguir como primeiro-ministro.
Três dos principais nomes do Likud avisaram que vão concorrer no pleito, o ex-premiê Binyamin Netanyahu, o ministro da Defesa Silvan Shalom e o ministro das Relações Exteriores, Shaul Mofaz.
No lançamento de sua candidatura para liderar o Likud, o ex-primeiro-ministro Binyamin Netanyahu atacou Sharon, chamando-o de "corrupto" e "ditador".
Ao deixar o Likud na segunda-feira, Sharon afirmou que seria "perda de tempo" continuar na legenda.
Num comunicado em rede nacional de televisão, o premiê disse que "o Likud, no seu formato atual, não pode levar Israel em direção a seus objetivos".
"Eu fundei o Likud para servir a uma idéia nacional e trazer esperança ao povo israelense. Infelizmente, isso não existe mais", afirmou Sharon.