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23 de novembro, 2005 - 18h03 GMT (16h03 Brasília)

Cidade chinesa espera passagem de poluentes em rio

Os moradores da cidade chinesa de Harbin tiveram poucas horas para estocar água nesta quarta-feira enquanto esperam a passagem pela cidade de uma grande quantidade de poluentes de um rio contaminado.

Os níveis de benzeno, uma substância tóxica presentes na água do rio Songhua que abastece a cidade, chega a ser 108 vezes superior ao que é considerado seguro no país, segundo o governo chinês.

A poluição maciça do rio, provocada por uma explosão em uma fábrica de produtos químicos, fez com que o suprimento de água da cidade do norte da China fosse suspenso.

Estima-se que a poluição atinja Harbin às 5h da quinta-feira (horário local, 19h da quarta-feira em Brasília) e demore dois dias para deixar a cidade.

Vôos lotados

A explosão causou um grande vazamento de benzeno no rio, que abastece Harbin de água, motivo pelo qual o abastecimento foi interrompido.

Quase quatro milhões de pessoas continuam sem água na cidade, e mais de 16 mil toneladas de água potável já foram enviada para lá por meio de caminhões, segundo a agência de notícias Xinhua.

Mas este volume é inferior ao consumido pelos moradores de Harbin em um dia.

Segundo as companhias aéreas, todos os vôos deixando a cidade estão lotados.

Desconfiança

Quinze hospitais estão em alerta para lidar com possíveis vítimas de envenenamento, e várias escolas e empresas fecharam.

A explosão da fábrica de produtos químicos ocorreu no dia 13 na cidade de Jilin, que fica na beira do rio Songhua, que fornece água para Harbin.

Inicialmente, o governo havia dito que a falta de água iria durar quatro dias, mas um representante da companhia disse à BBC que não há prazo para retomada do fornecimento.

Segundo a correspondente da BBC em Pequim, Louise Lim, os moradores de Harbin desconfiam do governo, que inicialmente disse que a distribuição de água havia sido suspensa para uma manutenção de rotina da rede.

A explosão teria forçado a evacuação temporária de cerca de 10 mil moradores da cidade, mas, quando ela ocorreu, as autoridades não deram qualquer sinal de que havia risco de a água que abastece a cidade ter sido contaminada.

Os anúncios de falta de água levaram os moradores a comprar alimentos e água nos supermercados da cidade. Há informações de que os estoques do líquido e de outras bebidas à venda já teriam se esgotado.

As autoridades também providenciaram caminhões-pipa para distribuir água à população.

Também há informações de que alguns moradores estão dormindo ao relento, em temperaturas abaixo de zero, depois de surgirem boatos de um terremoto iminente.