22 de novembro, 2005 - 20h50 GMT (18h50 Brasília)
As próximas eleições de Israel devem ser realizadas em 28 de março de 2006.
A data foi negociada entre as principais lideranças políticas do Parlamento israelense, que deverá aprová-la nesta quarta-feira.
Pesquisas eleitorais indicam que o novo partido político do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon ganharia o maior número de cadeiras no Parlamento, permitindo a Sharon prosseguir como primeiro-ministro.
As enquetes eleitorais já captam os efeitos da saída de Sharon do Likud, principal partido da direita israelense, anunciada nesta última segunda-feira.
Sharon foi seguido por 14 parlamentares do Likud. Para registrar oficialmente o novo partido, o primeiro-ministro e seus seguidores precisam de mais adesões e de um nome.
"Para a frente" e "Responsabilidade Nacional" são os nomes que têm sido sugerido para o novo partido, que ocupará uma posição centrista no espectro político de Israel.
Segundo as pesquisas publicadas nesta terça-feira, o partido de Sharon conquistaria entre 30 e 33 vagas das 120 do Parlamento, ficando à frente do Partido Trabalhista, que obteria cerca de 26 assentos.
O Likud ficaria em terceiro lugar elegendo 15 parlamentares, bem menos do que os atuais 40 representantes.
No lançamento de sua candidatura para liderar o Likud, o ex-primeiro-ministro Binyamin Netanyahu atacou Sharon, chamando-o de "corrupto" e "ditador".
Outros que também disputariam a liderança do Likud são o ministro da Defesa, Shaul MOfaz, e o ministro do Exterior, Silvan Shalon.
O comitê central do Likud deve se reunir na quinta-feira para definir a data para as eleições da liderança do partido, que devem ocorrer em dezembro.
Diferenças
Ao deixar o Likud na segunda-feira, Sharon afirmou que seria "perda de tempo" continuar na legenda.
Num comunicado em rede nacional de televisão, o premiê disse que "o Likud, no seu formato atual, não pode levar Israel em direção a seus objetivos".
"Eu fundei o Likud para servir a uma idéia nacional e trazer esperança ao povo israelense. Infelizmente, isso não existe mais", afirmou Sharon.
O primeiro-ministro também pediu ao presidente Moshe Katsav que dissolva o Parlamento, abrindo caminho para as eleições antecipadas no país.
O parlamento já aprovou o primeiro passo para sua dissolução e Katsav disse que as eleições vão ser realizadas o mais rapidamente possível.
O líder israelense, que formou um novo partido de centro, disse que seu "novo movimento liberal nacional" dará a Israel uma nova esperança de estabilidade e criará a base para um acordo de paz.
Reação
Lideranças palestinas mostraram otimismo em relação à saída de Sharon. Um dos principais negociadores palestinos, Saeb Erekat, disse que a magnitude da notícia não deve ser subestimada.
"É uma erupção de primeira grandeza. Um vulcão na vida política israelense", disse ele.
"Não é o caso deste partido ir para a direita e o outro para a esquerda. É a reestruturação dos partidos políticos israelenses levando em conta como eles entendem que a paz conosco deve ser atingida."
"Como palestino, espero que quando a poeira baixar, tenhamos um partido que deseje de uma vez por todas caminhar para uma solução pacífica e chegar a solução de dois Estados", acrescentou.