22 de novembro, 2005 - 11h05 GMT (09h05 Brasília)
O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon está à frente das pesquisas eleitorais, um dia depois de ter anunciado sua saída do Likud e a criação de um novo partido.
Segundo as pesquisas publicadas nesta terça-feira, o partido de Sharon conquistaria entre 30 e 33 vagas das 120 do Parlamento, ficando à frente do Partido Trabalhista, que obteria cerca de 26 assentos.
O Likud ficaria em terceiro lugar elegendo 15 parlamentares, bem menos do que os atuais 40 representantes.
Segundo a agência de notícias Associated Press, a estratégia de Sharon de fazer concessões territoriais aos palestinos enquanto mantém a linha-dura em relação aos militantes transformou-o no político mais popular de Israel.
Diferenças
Ao deixar o Likud na segunda-feira, Sharon afirmou que seria "perda de tempo" continuar na legenda.
Num comunicado em rede nacional de televisão, o premiê disse que "o Likud, no seu formato atual, não pode levar Israel em direção a seus objetivos".
"Eu fundei o Likud para servir a uma idéia nacional e trazer esperança ao povo israelense. Infelizmente, isso não existe mais", afirmou Sharon.
O primeiro-ministro também pediu ao presidente Moshe Katsav que dissolva o Parlamento, abrindo caminho para as eleições antecipadas no país.
O parlamento já aprovou o primeiro passo para sua dissolução e Katsav disse que as eleições vão ser realizadas o mais rapidamente possível.
O líder israelense, que formou um novo partido de centro, disse que seu "novo movimento liberal nacional" dará a Israel uma nova esperança de estabilidade e criará a base para um acordo de paz.
Reação
Lideranças palestinas mostraram otimismo em relação à saída de Sharon. Um dos principais negociadores palestinos, Saeb Erekat, disse que a magnitude da notícia não deve ser subestimada.
"É uma erupção de primeira grandeza. Um vulcão na vida política israelense", disse ele.
"Não é o caso deste partido ir para a direita e o outro para a esquerda. É a reestruturação dos partidos políticos israelenses levando em conta como eles entendem que a paz conosco deve ser atingida."
"Como palestino, espero que quando a poeira baixar, tenhamos um partido que deseje de uma vez por todas caminhar para uma solução pacífica e chegar a solução de dois Estados", acrescentou.
Likud
No domingo, o Partido Trabalhista de Israel anunciou sua retirada da coalizão de governo, detonando o processo.
Sharon e o líder trabalhista Amir Peretz teriam concordado em antecipar as eleições de novembro para março de 2006.
Ariel Sharon ajudou a fundar o direitista partido Likud em 1973, mas a retirada israelense da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia, em agosto deste ano, desagradou a muitos linha-dura do partido.
Mas, enquanto Sharon perdeu apoio dentro de seu próprio partido, suas políticas agradaram cidadãos israelenses que não querem negociar com os palestinos e nem controlar seus territórios.